Sangue encontrado em lençol é de Isabella, conclui laudo

Peritos esperam laudo sobre a roupa da madrasta, que pode ajudar no interrogatório do casal, marcado para 6ª

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo,

16 de abril de 2008 | 23h44

Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) terminaram o primeiro exame de DNA do caso Isabella e concluíram que é da menina de 5 anos o sangue que estava nas paredes da sala e no lençol do quarto de onde ela foi jogada do 6º andar do Edifício Residencial London, na Vila Isolina Mazzei, na zona norte de São Paulo. O exame é uma das provas de que Isabella de Oliveira Nardoni foi agredida no apartamento - as outras são as lesões no corpo, como um corte de 0,5 centímetro na testa da menina, hematomas na perna e lesão no pescoço.  VEJA TAMBÉM Veja imagens do apartamento onde ocorreu o crime Cronologia e perguntas sem resposta do casoTudo o que foi publicado sobre o caso Isabella Os peritos que vão fazer o laudo sobre o local do crime ainda aguardam o relatório de análise das roupas da madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 24 anos. Em uma blusa dela os peritos acharam uma mancha de substância semelhante a sangue. Os peritos querem saber se esse sangue é de Isabella e estão fazendo o exame de DNA no material recolhido. "A extração do DNA de uma mancha é complicada e difícil", afirmou um dos peritos. Esse foi o caso das amostras encontradas no Ford Ka de Alexandre Nardoni, o pai de Isabella. Algumas dessas amostras não tinham material suficiente para a realização do exame. "Isso não significa que a amostra não era sangue. É preciso muito cuidado com esse tipo de informação", disse um outro perito ouvido pelo Estado. Outro exame que ainda não foi concluído é o que verifica a causa da morte de Isabella. Sabe-se que ela sofreu asfixia e que morreu por causa da queda. O que os peritos ainda não têm certeza é se a menina sofreu a parada cardiorrespiratória por causa do impacto da queda ou se isso foi provocado por esganadura - apertar o pescoço de alguém com as mãos. Caso isso tenha ocorrido por causa do choque com o chão, os médicos-legistas querem saber o que fez com que Isabella estivesse inconsciente ao ser jogada da janela. A existência de apenas duas pequenas fraturas em seu corpo - no punho e na bacia -, apesar de uma queda de 20 metros de altura, mostram que a menina estava com o corpo relaxado, o que, aliado ao fato de ela ter caído sobre o gramado fofo do jardim do prédio, teria amortecido a queda. No relatório para o pedido de prisão temporária do casal feito pela delegada Renata Helena da Silva Pontes, consta que, se a menina não estivesse inconsciente no momento da queda, os danos causados ao corpo seriam bem mais graves. O relatório, feito com as conclusões dos médicos-legistas até 15 dias atrás, afirmava que tudo indicava que Isabella já estava em processo de morte, com poucos sinais vitais, antes de ser arremessada. Para a polícia, a menina foi jogada pela janela "não com a finalidade de provocar o óbito, mas de mascarar a lesão provocada no apartamento". Reuniões Na tarde de quarta, ocorreram duas reuniões dos peritos que cuidam do caso. Uma delas envolveu o superintendente de Polícia Científica, Celso Perioli. A outra contou com a participação dos médicos-legistas que examinam o caso. O objetivo é tentar alcançar um consenso sobre a dinâmica do crime. Para isso, além de vencer a divergência de opinião entre os legistas, será necessário aguardar os resultados de alguns exames, como o DNA da mancha achada na blusa da madrasta. Os peritos querem concluir os laudos principais até sexta, quando o casal deve voltar a ser ouvido pela Polícia Civil. Só quando esse trabalho estiver concluído é que a polícia terá condições para interrogar Anna Carolina e Alexandre. Os peritos de vários núcleos de análise do IC estão mobilizados para concluir até quinta os exames que servirão de base para o laudo do setor Crimes Contra a Pessoa do instituto.

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