Sangue em sítio de Bruno não é de Eliza

Para delegado do caso, prova pode ter sido plantada; defesa do goleiro diz que jovem está viva e foi vista na região metropolitana do Rio

Eliane Souza, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

A Polícia Civil de Minas informou ontem que o sangue encontrado em um colchão no sítio do goleiro Bruno Fernandes em Esmeraldas (MG) é de uma mulher, mas não de Eliza Samudio, ex-amante do jogador desaparecida desde o início de junho. Ontem, Ércio Quaresma, advogado do atleta e de mais seis acusados no caso, disse ter informações de que Eliza teria sido vista em um shopping em Duque de Caxias, no Rio.

O sangue foi encontrado em perícia realizada em 13 de junho. O delegado-chefe do Departamento de Investigações de Belo Horizonte, Edson Moreira, afirmou que a prova pode ter sido "plantada". "Na primeira vistoria não tinha sangue, na segunda foi encontrada grande parte de sangue, o que pode ser para tumultuar as investigações."

Segundo o delegado, o sítio não poderia ter sido interditado porque a legislação brasileira não permite. Moreira disse ainda que a possibilidade de o corpo carbonizado encontrado no interior de São Paulo ser de Eliza é "praticamente zero". Os restos mortais foram achados no dia 26 de junho em Cachoeira Paulista e estão em análise.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes de São Paulo, o advogado Quaresma disse que a informação de que Eliza estaria viva foi apenas uma denúncia. Não há imagens. "Quem falar que ela está viva está com alucinação, deve ter tomado alucinógeno. Ela está morta e o corpo, bem escondido", reagiu o delegado. Um dos advogados da equipe de Quaresma, que pediu para não ser identificado, disse que supostas fotos de Eliza teriam sido feitas por amigos de Bruno, que estão tentando achar a modelo.

Internação. O Ministério Público de Minas Gerais informou ontem que o promotor Leonardo Barreto Moreira Alves solicitou ao juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Contagem, Elias Charbil Abdou Obeid, a aplicação de medida de internação para J., de 17 anos, pelos atos de homicídio e sequestro no caso Eliza. O menor é considerado uma das principais testemunhas do inquérito.

O pedido do promotor foi baseado no dolo eventual. O jovem alegou que a intenção era dar um "grande susto" em Eliza. "Mesmo que o menor não queira diretamente o resultado morte da vítima (dolo direto), contribuiu para a ocorrência desse evento", escreveu Alves.

A medida de internação deve ser aplicada pelo prazo mínimo de seis meses, até três anos.

Cães. Os dez cachorros recolhidos para exames na casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar Eliza, serão devolvidos. Os cães foram levados para o Centro de Zoonose de Belo Horizonte, onde passaram por análise para detectar a presença de eventual sangue da vítima na pelagem. A mulher de Bola, Maria Denizlei, e uma das filhas não falaram durante depoimento em Belo Horizonte. / COLABORARAM EDUARDO KATTAH e SOLANGE SPIGLIATTI

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