Helia Scheppa/JC Imagem
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Salvador faz festa com polícia em greve

Mas governo diz que segurança do carnaval não será afetada e serviços estão mantidos

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

04 Março 2011 | 00h00

No dia em que o carnaval começou oficialmente na Bahia, os policiais civis do Estado decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado. Eles cobram do governo estadual a prisão dos responsáveis pela morte de um agente da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos em confronto com outros policiais, anteontem à noite, em Salvador.

O governo do Estado afirma que a greve não vai atrapalhar a segurança no carnaval. Apenas em Salvador, são esperados cerca de 500 mil turistas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o atendimento nas delegacias não foi afetado e as equipes do feriado não sofrerão mudanças. "A segurança está garantida. Temos 22 mil homens trabalhando na festa", disse o secretário Maurício Teles. A Procuradoria Geral do Estado entrou na Justiça com um pedido de declaração de ilegalidade do movimento, que foi atendido.

De acordo com o sindicato da categoria, a paralisação vai começar assim que o documento sobre a greve for protocolado na administração estadual.

Confronto. Segundo o secretário-geral do sindicato dos policiais civis, Bernardino Gayoso, o confronto entre policiais civis e a morte de Valmir Borges Gomes, de 54 anos, foram "a gota d"água" para que a paralisação dos agentes fosse definida. A categoria já articulava uma greve a partir de 2 de abril, para cobrar o pagamento de horas extras e de adicionais por insalubridade, além de reivindicar melhores condições de trabalho.

Segundo informações da Corregedoria de Polícia Civil, que investiga o caso, Gomes, acompanhado por dois outros homens - um deles também seria policial civil -, teria flagrado um jovem comprando lança-perfume e pedido dinheiro a ele para que não o detivessem. O rapaz concordou, mas entrou em contato com a Corregedoria-Geral da Secretaria de Segurança Pública.

Na noite de ontem, quando o dinheiro seria entregue, o rapaz foi ao local combinado, mas os agentes perceberam que ele estava sendo acompanhado por outros policiais, da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, que fariam o flagrante. Houve troca de tiros, os outros dois homens que acompanhavam Gomes fugiram e ele acabou atingido.

"Mesmo que o caso de extorsão seja verdadeiro, ele é passível de investigação, não de execução", afirma Gayoso.

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