Salvador: crack na praia e lojas fechadas espantam turistas

Perto do verão, as duas principais atrações da capital - o Pelourinho e as praias - sofrem com a falta de visitantes

Tiago Décimo,

03 de outubro de 2010 | 00h12

A dois meses do início da alta temporada, as duas principais atrações turísticas de Salvador - o Pelourinho, miolo do centro histórico, e as praias - estão esvaziadas e põem em risco o turismo na cidade durante o verão. Em processos de requalificação, os espaços pouco ocupados passaram a atrair pedintes e usuários de drogas, criando uma sensação de insegurança que afasta os turistas. "Hoje, menos de 5% da população de Salvador frequenta o Pelourinho", admite o secretário de Cultura da Bahia, Márcio Meirelles.

O esvaziamento do Pelourinho é um fenômeno antigo. Segundo comerciantes, os primeiros sinais surgiram na primeira metade da década. Os motivos causam controvérsia. Para a atual oposição ao governo - formada principalmente pelos antigos seguidores do senador Antônio Carlos Magalhães -, o problema é de gestão. "O Pelourinho foi abandonado pela administração pública", acusa o ex-governador Paulo Souto. O argumento encontra coro na Associação dos Comerciantes do Pelourinho (Acopelô). "O descaso fez, ao longo da década, o número de estabelecimentos comerciais cair pela metade, de quase 400 para 200", aponta o presidente da associação, Lenner Cunha.

Em 2008, um grupo de trabalho com representantes de Estado, município, governo federal e sociedade civil foi montado para elaborar um novo projeto para a área. Se o Pelourinho tem pelo menos um plano de revitalização, a orla de Salvador ainda carece de alternativas para a falta das barracas de praia, demolidas no fim de agosto por determinação da Justiça federal. A prefeitura corre para tentar apresentar projetos que agradem tanto aos antigos comerciantes e trabalhadores quanto aos banhistas.

Em meados de setembro, a administração apresentou proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à Justiça federal. O projeto prevê instalação de barracas provisórias, desmontáveis e equipadas com mesa, cadeiras e caixa térmica na areia, para que comerciantes possam trabalhar no verão. Os barraqueiros a consideraram insuficiente.

Efeito colateral. O efeito da retirada das barracas de praia foi instantâneo. Em toda a orla, a imagem é de poucos banhistas e entulho. Em algumas regiões, como Itapuã, visitantes e pescadores passaram a relatar a presença de consumidores de crack em trechos da praia, fazendo a sensação de insegurança aumentar.

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