Salão de luxo nos jardins é lacrado

MG Hair Design havia sido fechado um dia antes; polícia abre inquérito por desobediência

Ana Bizzotto, Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2010 | 00h00

O salão MG Hair Design, na Rua Estados Unidos, Jardins, foi lacrado ontem pela Prefeitura e multado em R$ 10 mil. Segundo o secretário municipal de Controle Urbano, Orlando Almeida, o cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi, dono do salão, desobedeceu determinação feita anteontem de só reabrir o espaço depois de regularizar problemas na construção. O salão tem tamanho (1.715,71 m2) e gabarito (11,2 metros de altura) maiores que o permitido pela lei de zoneamento da região - respectivamente, cerca de 1.300 m² e dez metros.

Almeida diz que Biaggi abriu as portas do salão e ontem atendeu pelo menos uma cliente. Ao constatar a desobediência, ele orientou seu motorista a estacionar o carro oficial na porta da garagem do salão - para que ninguém entrasse ou saísse. Ao ver que o carro estava preso, a cliente foi, segundo o secretário, buscar o marido de táxi. Na volta, aproveitando uma distração do motorista da Secretaria, teria soltado o freio de mão do carro, para desimpedir a saída da garagem.

"O motorista correu e segurou o carro no braço. Nesse momento, foi atingido nas costas por um soco aplicado pelo marido da cliente de Biaggi", relata o secretário, que registrou queixa no 78.º DP. O motorista foi submetido a exame de corpo de delito e a polícia abriu inquérito por desobediência e agressão.

Biaggi nega que tenha reaberto o salão e diz que a cliente estava lá apenas para fazer um coque (veja abaixo).

Celebridades. Um dos cabeleireiros mais famosos da cidade, Biaggi tem entre as clientes artistas, socialites e capas de revista. Em seu site, é apresentado como o "guru das celebridades", cabeleireiro de "chiques, famosas e poderosas", que faz com que qualquer uma "se transforme em estrela ao sentar em sua cadeira".

Anteontem, além de passar pelo MG Hair Design, a Prefeitura esteve no salão vizinho, o 1.838, de propriedade da socialite Lucinha Mauro. Até 2007, os dois foram sócios. Depois romperam e se tornaram desafetos. Também irregular, o salão de Lucinha recebeu ordem para permanecer fechado até regularizar a situação. Ontem, Lucinha manteve as portas do local fechadas.

CINCO PERGUNTAS PARA... Marco Antônio de Biaggi,

Cabeleireiro

1. O que aconteceu?

A Prefeitura fazia vistoria no bairro. Sou a maior personalidade da rua e vieram aqui atrás de audiência. Conversamos com o secretário (Orlando Almeida), que foi simpático. Disseram que a metragem estava acima da permitida. Não tem problema. Vamos arrumar.

2.

Sabia que a construção estava irregular?

Não. Sou só o locatário. Alugo o imóvel há quatro anos. Entramos com liminar na Justiça para reabrir. E entrei em contato com o dono, uma grande construtora, para pagar a reforma e os dias em que fiquei parado.

3. O sr. abriu ontem?

Não. Quem veio aqui de manhã foi uma cliente que tinha um casamento no interior. Fizemos só um coque. Eu ainda não tinha sido notificado. Só recebi a notificação às 13h40.

4. Como foi ontem?

Recebi muito apoio, porque sou muito amado. Quatro clientes vieram me dar um beijo, prestar solidariedade. Mas sofreram. Fiscais não deixavam elas saírem do salão. Um absurdo. Quando vieram da primeira vez, não deixei o salão escondido num Jaguar. Saí de cabeça erguida, ao lado de minha assessora, em um PT Cruiser.

5. Soube da multa e do inquérito?

Ainda não fui comunicado. Mas não sou bandido, não vendo contrabando. Sou um peão, corto 22 cabelos por dia, emprego 138 pessoas e pago uma fortuna em impostos.

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