Saídas fotográficas agora atraem também amadores

Antes restritas a profissionais, passeios para clicar monumentos, ruas e parques se popularizam e permitem até câmeras de celular

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2010 | 00h00

Temas. Paulistanos e suas cores estão também na pauta dos registros da Jornada                

 

 

 

 

Os paulistanos descobriram que fotografar é o melhor meio de desvendar a cidade. O que antes parecia coisa de turista virou um passeio cada vez mais popular em São Paulo: as jornadas - ou saídas - fotográficas. Elas atraem pessoas de todas as idades, com todo tipo de câmera e o melhor de tudo é que não precisa ser profissional para participar.

Há 15 anos liderada pelo fotógrafo e pesquisador André Douek, a Jornada Fotográfica começou com o nome de Caminhada Fotográfica e atraía basicamente alunos de cursos de fotografia. Hoje, os grupos reúnem até 50 pessoas, quase todas amadoras, que saem pelo menos uma vez por mês para fotografar monumentos, parques, ruas e pontos históricos. O assunto pode ser desde um registro de uma tarde no Minhocão até um passeio pelo Jardim da Luz.

O encontro é marcado por e-mail, blog e cartazes espalhados por Douek. A Jornada deu frutos e são inúmeras saídas do gênero na cidade, como a Fotocultura - que também não precisa de inscrição - ou outras mais fechadas, como as do Coletivo Rolê, um grupo que só faz saídas noturnas e aceita novos membros mediante uma combinação prévia com os "veteranos".

A regra é uma só: estar disposto a dedicar um olhar mais demorado a lugares que podem parecer "manjados", mas que se revelam completamente novos quando se presta atenção neles.

"Já conhecia a Galeria do Rock, mas só entrava para comprar alguma coisa e ir embora. Hoje, vim para observar com calma cada detalhe", conta o professor de línguas Luiz Carlos Simonetti, que tem uma "saboneteira", como são chamadas aquelas câmeras compactas amadoras.

O importante, segundo Douek, é deixar as pessoas livres para descobrirem o local a ser registrado. "A ideia não é fazer uma aula de foto, chamar todo mundo para olhar uma mesma coisa. Eu quero descobrir o olhar deles."

Tradição. O olhar do funcionário público Rodrigo Whitaker, de 64 anos, é por meio de uma Kiev e de uma Rolleiflex de 1960, que chamam a atenção pela beleza antes mesmo de saírem as fotos. Ex-fotógrafo profissional, Whitaker é fiel às analógicas. "Para entrar na era digital teria de vender meu equipamento, comprar tudo novo. Não quis."

Mesmo com a opção de uma digital, a arquiteta Fernanda Craveiro Cunha, de 29 anos, prefere a Pentax Spotmatic, da década de 1970, que herdou do avô. "Gosto da expectativa, de dar valor a cada foto. Perco em quantidade, mas ganho em qualidade", diz. A Jornada tem duração média de três horas, tempo suficiente para escolher com cuidado (no caso das analógicas) ou experimentar vários ângulos (com a rapidez das digitais).

As saídas também são a oportunidade de muitos amadores que estão dando os primeiros passos. "Agora é a hora de arriscar", diz Camila Cordeiro, de 22 anos, que trabalha com contabilidade mas quer virar fotógrafa. E, para arriscar, vale tudo. "Tem gente que vai até com a câmera do celular", conta o professor de fotografia Yuri Bittar, organizador da Fotocultura. Ele geralmente escolhe como "cenário" o centro da cidade. "Porque lá é complicado ir sozinho, é mais seguro em grupo."

Depois da saída, é a vez de ampliar as fotos - na Jornada Fotográfica, o resultado segue para exposição no Arquivo Histórico de São Paulo, na Luz. "Muita coisa aflora no processo de seleção, a gente começa a olhar para as fotos de uma maneira diferente", conta a bancária Isabel Abreu, veterana da Jornada.

Serviço

JORNADA FOTOGRÁFICA: WWW.ANDREDOUEK.BLOGSPOT.COM; FOTOCULTURA: WWW.YURIBITTAR.COM; COLETIVO ROLÊ: WWW.ROLE.ART.BR

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