Saiba quem são os 13 denunciados pelo acidente do Metrô

Entre os denunciados estão diretores, funcionários graduados e técnicos do Via Amarela e do Metrô

06 Janeiro 2009 | 10h23

Treze pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) pelo acidente na futura Estação Pinheiros, na Linha 4-Amarela do Metrô. O acidente completa dois anos no dia 12 de janeiro e todos os denunciados pelo MPE são diretores, funcionários graduados e técnicos do Consórcio Via Amarela e da Companhia do Metropolitano. O acidente deixou sete mortos e 230 desabrigados.   Veja também: Juíza decide nesta 3ª se aceita denúncia por acidente do Metrô Empresas do Via Amarela vencem nova licitação Via Amarela transferiu técnicos após acidente Confira as conclusões do IPT sobre o acidente    Especial sobre o acidente do Metrô  Vídeo da cratera no Metrô  Versão da Via Amarela sobre o acidente      Entenda quem fez ou deixou de fazer o que, segundo a denúncia da promotoria:   Fábio Andreani Gandolfo, diretor do Via Amarela na época do acidente: Se omitiu, pois não acompanhou o dia-a-dia da frente de obra, deixando de supervisionar o que lá acontecia. Também deixou de cobrar de seus subordinados as informações sobre o andamento da obra, não adotando nenhum procedimento corretivo;   José Maria Gomes de Aragão, responsável pela execução das obras no canteiro: Não adotou nenhuma providência para adaptar o projeto executivo à realidade revelada durante a escavação. Além disso, não questionou as modificações no projeto. Também foi imprudente, uma vez que permitiu a continuação e o aumento do ritmo de escavação, apesar da instabilidade detectada no dia anterior ao desabamento;   Alexandre Cunha Martins, responsável pela gestão da obra: Não se preocupou em determinar estudos para adaptar o projeto à realidade constatada. Permitiu a mudança no sentido de escavação, aumento da profundidade e sequencia. Foi imprudente ao autorizar a continuação da obra, mesmo com a instabilidade verificada no dia anterior ao acidente;   Takashi Harada, responsável pela gestão do projeto: Desconsiderou a incompatibilidade entre o projeto e a execução da obra. Não se preocupou em realizar estudos que dimensionassem as consequências das alterações executadas. Embora tenha participado da reunião no dia anterior, admitiu a continuidade da obra;   Murillo Dondici Ruiz, projetista contratado pelo consórcio: Tinha o dever de reavaliar o projeto executivo. Deveria cobrar do engenheiro Aragão as razões que levaram à inversão do sentido e aprofundamento da escavação, além da alteração da sequência das detonações. Participou da reunião no dia anterior, mas não se posicionou expressamente sobre a interrupção dos trabalhos;   Alberto Mota, assistente técnico de obra, integrante da equipe de projetistas: Deixou de questionar as alterações na execução da obra. Embora tenha constatado recalque (rebaixamento natural do túnel), não fez qualquer recomendação no sentido de paralisar a obra até que tivesse o diagnóstico do problema;   Osvaldo Souza Sampaio, assistente técnico de obra, integrante da equipe de projetistas: Deixou de questionar as alterações por ele constatadas. Apesar de ter verificado que o recalque do túnel se intensificava, não recomendou a paralisação dos trabalhos. Participou da reunião no dia anterior, mas não se posicionou pela imediata paralisação da obra;   Luís Rogério Martinati, coordenador das ações desenvolvidas por Mota e Sampaio: Estava ciente das alterações feitas pelos dois e deixou de cobrar Aragão sobre as mudanças na execução da obra. Mesmo sabendo da instabilidade que acometia as paredes do túnel, não lançou qualquer manifestação pela paralisação das escavações no canteiro;   Marco Antônio Buoncompagno, gerente de construção/projeto da Linha 4, funcionário do Metrô: Tinha o dever de verificar o trabalho desenvolvido pelo Via Amarela e avisar sobre qualquer defeito. Era atribuição dele cobrar de seus subordinados - José Roberto, Cyro, Jelson e German - informações sobre o efetivo desenvolvimento da obra. Omitiu-se no desempenho de suas funções. Sobre o Plano de Emergência, foi negligente, pois não cobrou dos executores um sistema de gerenciamento de riscos;   José Roberto Leite Ribeiro, responsável pelo Departamento de Construção Civil do Metrô: Tinha o dever de cobrar de Cyro, German e Jelson informações sobre o dia-a-dia da obra, fiscalizando a atividade de seus subordinados de forma abrangente, isto é, indagando-os sobre os procedimentos técnicos adotados, sempre tendo como base o projeto executivo. Sobre o Plano de Emergência, foi negligente pois não cobrou executores da obra um sistema de gerenciamento de riscos;   Cyro Guimarães Mourão Filho, coordenador da fiscalização de campo da Linha 4: Embora tenha constatado as alterações na execução da obra e a instabilidade do túnel, não adotou qualquer ação para acionar formalmente seus superiores - Buoncompagno e José Roberto - para que eles exigissem providências corretivas e preventivas ou até mesmo a paralisação da obra;   Jelson Antônio Sayeg de Siqueira e German Freiberg, fiscais de obra, funcionários do Metrô: Embora efetuassem sistematicamente o acompanhamento e a fiscalização das obras, e sabedores das alterações feitas pelo Via Amarela, bem como da instabilidade do túnel, não fizeram qualquer comunicação formal ao consórcio, tampouco a seus subordinados - Buoncompagno, José Roberto e Cyro - de tudo aquilo que se passava. Agindo assim, diz o MPE, agiram de forma negligente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.