Sacoleiros de fora de SP já fogem do Brás

Ônibus fretados têm chegado com metade da lotação desde o início dos conflitos

CIDA ALVES , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2011 | 03h04

Os conflitos entre ambulantes e Polícia Militar, que vêm se repetindo ao longo desta semana no Brás, zona central de São Paulo, já estão afugentando a principal clientela da região: sacoleiros de outros Estados. Nos últimos dois dias, empresas de excursão têm chegado à capital com metade dos passageiros previstos, após muitos cancelarem a viagem na última hora.

"Eu estava com 40 lojistas confirmados. Assim que começaram as notícias na televisão, eles foram ligando para cancelar. Quando eram só 27, pensei: se mais um cancelar, vou suspender a viagem", disse a guia Eva Marques, de 39 anos, que trabalha para uma empresa de Belo Horizonte.

Maria Aparecida Rodrigues de Souza, de 50 anos, viria com dois ônibus de lojistas de Curitiba para fazer compras na Feirinha da Madrugada ontem. "Mas acabamos vindo com apenas um. Além do medo da violência, as pessoas não querem encontrar lojas fechadas e perder a viagem." Poucas horas antes do embarque, 16 passageiros de Maria Aparecida desistiram.

O roteiro de compras dentro do bairro também mudou. "Pretendia ir a uma loja da Rua Oriente, mas tive de dar meia volta quando encontrei os manifestantes", afirmou a guia Geny Silva, de 58 anos, do Paraná.

Sem perspectiva de solução para os conflitos, lojistas que há anos se abastecem de mercadorias do Brás já pensam em outros destinos de compras.

"Eu quase desisti de vir. Se a situação continuar assim, vamos procurar outro lugar para comprar, como Rio e Belo Horizonte", disse o lojista de Juiz de Fora José do Carmo, de 48 anos, que há oito frequenta a Feirinha da Madrugada.

Na terça-feira, primeiro dia dos confrontos, muitos ônibus não conseguiram entrar no estacionamento da feirinha. No início da tarde de ontem, havia pouco mais de 30 veículos no local. "Geralmente tem o dobro disso nesse horário", explicou Andréa Bacha, de 37 anos, que vende comida para lojistas em viagem.

Operação. Há três dias, camelôs protestam nas ruas do Brás por causa do endurecimento na fiscalização da Operação Delegada, na qual policiais militares de folga combatem o comércio irregular e recebem um complemento salarial da Prefeitura. Desde segunda-feira, a ação foi ampliada para o período noturno, quando 7 mil pessoas trabalham irregularmente. Cerca de 400 policiais por turno ficarão na região por tempo indeterminado, até que acabem os protestos.

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