MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Sabesp vai tirar mais água da Billings para socorrer sistema

Empresa deve ampliar a transferência que já é feita para a Guarapiranga e construir um braço da represa para o Alto Tietê

Ana Fernandes e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2015 | 21h55

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quarta-feira, 21, que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estuda retirar mais água da Represa Billings para suprir a crise hídrica na Grande São Paulo. Segundo o tucano, a empresa deve ampliar a transferência que já é feita para a Represa do Guarapiranga e ainda construir um braço do reservatório na região do ABC paulista para transferir água para o Sistema Alto Tietê, que está próximo do colapso.

Desde o ano passado, a Billings aumentou o volume de água transferido para o Sistema Guarapiranga, na zona sul de São Paulo, através do braço chamado Taquacetuba. Com esse braço, segundo Alckmin, cresceu a vazão do Guarapiranga em 4 mil litros por segundo, de 11 mil para 15 mil litros por segundo, o que possibilitou a transferência de água dessa represa para mais de 1 milhão de pessoas que eram atendidas pelo Cantareira antes da crise.

Alckmin explicou que está sendo estudado ampliar em mais mil litros por segundo a vazão para o Guarapiranga e a construção de um braço que permita à Billings atender também o Sistema Alto Tietê, o segundo mais afetado pela estiagem, aumentando a vazão em 4 mil litros por segundo. O governador, contudo, disse que são medidas em estudo avançado, mas preferiu não comentar o valor das obras e prazos. Procurada, a Sabesp não se manifestou.

Na semana passada, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse que a Billings “é uma grande caixa d’água” que pode ser usada em uma emergência. Segundo ele, a represa tem, atualmente, cerca de 600 bilhões de litros armazenados, volume dez vezes maior do que a reserva atual do Cantareira.

“O problema apontado ali é a qualidade da água. Mas grande parte da água potável que se bebe já é de reúso. Não tem dificuldade de tecnologia de transformar a água da Billings, que não tem uma boa qualidade, em água perfeitamente potável. A dificuldade maior seria levar essa água até onde é necessário e no prazo que precisamos”, disse Kelman.

'Fator climático raro'. Nesta quarta, Alckmin voltou a reforçar a mensagem de que a crise hídrica no Estado se deve a um fator climático extremamente raro e afirmou também que a hipótese de decretar um racionamento oficial de água em São Paulo não está em discussão. “Isso não está cogitado, não está em discussão.”

O governador disse ainda que não há uma previsão de uso da terceira cota do volume morto do Sistema Cantareira, o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. “Não tem nenhuma previsão e não pretendemos utilizá-la por enquanto”, disse o governador a jornalistas, após inaugurar uma unidade do Poupa Tempo em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Segundo a Sabesp, está sendo preparada a retirada de mais 41 bilhões de litros da reserva profunda do Cantareira. Projeções feitas pela própria Sabesp apontam que a segunda cota pode se esgotar em março. A captação está prevista para ocorrer na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. A medida vai obrigar a Sabesp a instalar bombas até para liberar água para a região de Campinas, pela descarga de fundo do reservatório. O Atibainha é um dos afluentes do Rio Atibaia, responsável por abastecer 95% da cidade do interior. 

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