WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Sabesp vai manter retirada de água do Cantareira

Após pedido da companhia, a ANA desistiu de reduzir em 26% limite de exploração do sistema para atender a Grande São Paulo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Após pedido feito pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Agência Nacional de Águas (ANA) desistiu de reduzir em 26% o limite máximo de exploração do Sistema Cantareira em novembro para atender a região metropolitana. A decisão, na visão dos gestores, não compromete a situação do manancial e evita a adoção de um racionamento de água ainda mais intenso na Grande São Paulo. 

Em julho, a ANA e o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), que controlam o sistema, haviam determinado que a Sabesp reduzisse a retirada de água do Cantareira de 13,5 mil litros por segundo para 10 mil l/s em novembro, o equivalente a 9 bilhões de litros no mês. A medida fora tomada para acelerar a recuperação do manancial no início do período chuvoso e porque a estatal havia prometido iniciar, até outubro, a transposição de água da Billings para o Sistema Alto Tietê, o que diminuiria a dependência do Cantareira.

No início deste mês, contudo, a Sabesp solicitou aos órgãos gestores que revissem a medida. No pedido, a estatal afirma que as “projeções apontam cenários incômodos” para o Alto Tietê, que nesta sexta-feira, 23, tinha apenas 13,9% da capacidade, e que terá de utilizar a água da Billings para recuperá-lo. “Portanto, a expectativa de ampliação da produção do Alto Tietê para suprir uma redução de produção do Sistema Cantareira não é viável, colocando em risco os dois principais sistemas produtores da Região Metropolitana de São Paulo”, afirma.

Além disso, a própria transposição de 4 mil l/s da Billings para o Alto Tietê, inaugurada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) há 24 dias, só funciona com 25% da capacidade por falta de segurança. No início do mês, conforme o Estado revelou, a obra chegou a ser embargada pela Prefeitura de Ribeirão Pires, no ABC paulista, porque provocou assoreamento do Rio Taiaçupeba-Mirim e alagou imóveis da região.

Diante do cenário de estabilidade do Cantareira, que começou outubro com um estoque de água maior do que havia há um ano, fato que não ocorria desde 2010, os gestores do sistema entenderam que seria melhor manter a exploração do sistema inalterada a expor a população da Grande São Paulo a um racionamento mais intenso. Para a região de Campinas, a vazão máxima liberada das represas também continuará igual, em 3,5 mil litros por segundo. 

A Sabesp afirma que a redução da captação do Cantareira (60% desde o início da crise) atingiu o “máximo resultado” e que uma nova restrição provocaria “enorme sacrifício” à população porque o consumo de água deve subir nos próximos meses por causa do aumento da temperatura.

Para a promotora Alexandra Facciolli, do Grupo de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) de Piracicaba, a decisão da ANA e do DAEE era previsível diante dos problemas ocorridos nas obras emergenciais da Sabesp. “Evidentemente que a redução da vazão, neste cenário, provocaria uma restrição ainda maior no abastecimento de água para a população. Nós compreendemos a decisão, mas não podemos perder de vista o objetivo de operar o sistema de uma forma para que ele se recupera o mais rápido possível, o que ainda está longe de acontecer.

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