Sabesp quer ampliar projeto que deu certo no litoral sul

Onda Limpa melhorou balneabilidade em cidades como Itanhaém, onde bandeiras vermelhas caíram pela metade

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2010 | 00h00

Os resultados do Programa Onda Limpa no litoral sul, onde algumas praias ficavam com bandeira vermelha durante todo o ano, são o exemplo que a Sabesp pretende seguir no litoral norte do Estado. A meta do governo é que, até 2015, o litoral norte trate 85% de seu esgoto. Hoje, esse índice não passa de 50% na região.

De acordo com Umberto Semeghini, diretor de sistemas regionais da Sabesp, a melhoria foi sensível em Peruíbe, Itanhaém e Mongaguá. Na primeira cidade, por exemplo, o número de bandeiras vermelhas registradas nas primeiras 39 semanas de 2009 foi 58. É mais do que o dobro do resultado deste ano, quando as praias da cidade foram consideradas impróprias 18 vezes. Em Itanhaém, o número caiu de 102 no ano passado para 50 neste ano. Na vizinha Mongaguá também houve queda entre um ano e outro: de 79 para 63. O Onda Limpa prevê construção de emissários, estações elevatórias e ligações domiciliares de esgoto.

Segundo Semeghini, as sete estações de tratamento entregues no litoral sul nos últimos anos estão justamente na região entre Peruíbe e Praia Grande.

O diretor admite que o programa no litoral norte está defasado em relação ao litoral sul. Algumas poucas obras são tocadas no momento, como estações de tratamento de esgoto nas Praias de Paúba, Baleia, Saí, Barra do Una e Engenho. Semeghini diz ainda que é importante que a população também participe e peça a ligação do esgoto em suas residências caso isso ainda não tenha ocorrido.

Mais limpa. Quem frequenta as praias do litoral sul diz já ter percebido a melhora. É o caso do professor de surfe Pierre Musacchio, de 47 anos. Frequentador das Praias do Sonho e do Centro, em Itanhaém, onde dá aulas para crianças, ele afirma ter notado que a água parece menos suja após períodos de chuva. "Ela vinha completamente escura. Muita sujeira era trazida pelos córregos. Ainda não está 100% limpa, tem de melhorar mais. Mas, comparado ao que estava, foi um avanço", diz.

Pierre, que conheceu a água do mar de Itanhaém muito mais limpa do que estava nos últimos anos e viu a situação se agravar em razão do esgoto e do uso das praias de forma predatória pelos turistas, diz que até seu trabalho ficou mais fácil, já que nem ele nem seus alunos sofrem mais com irritações de pele.

Algumas praias da cidade não tiveram sequer uma bandeira vermelha até setembro, como Jardim Cibratel e Suarão. Além do Onda Limpa, o fato de ter chovido menos neste ano também ajuda a explicar a melhora.

Outras cidades do litoral sul, contudo, não tiveram o mesmo desempenho de Itanhaém, Peruíbe e Mongaguá. Praia Grande e São Vicente registraram mais praias reprovadas neste ano. Já o Guarujá, que geralmente tem praias limpas, pouco variou. A situação é complicada apenas na Praia do Perequê, que de janeiro a setembro só passou uma semana sem bandeira vermelha.

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