Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sabesp propõe aumento total da tarifa da conta de água de 22,7%

Segundo executivo, revisão extraordinária de 13,8% concedida pela Arsesp garante o equilíbrio econômico, mas não o financeiro

Felipe Resk e Stefânia Akel, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 10h43

Atualizada às 21h10

SÃO PAULO - Quatro meses após o último reajuste, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) quer aumentar em 22,7% a tarifa de água e esgoto, a maior alta em 15 anos. O índice pleiteado pela estatal para repor os prejuízos causados pela crise hídrica é quase o dobro dos 13,8% autorizados previamente pela agência reguladora e discutido nesta quarta-feira, 15, em audiência pública. Entidades ligadas à defesa do consumidor, do meio ambiente e à indústria afirmam que as duas propostas são abusivas. Segundo a Sabesp, além da reposição pela inflação, de 7,8%, o índice proposto leva em consideração a queda do volume faturado com água e esgoto em 2014 (-2,2%) e a projeção até 2016 por causa da crise, além do aumento de despesas com energia elétrica, cujas tarifas também foram reajustadas por causa da estiagem. Os dois itens representam alta de 13,82% na tarifa. A empresa afirma não repassar aos consumidores custos relativos ao aumento de investimentos nem à concessão do bônus para quem economiza água, que teve impacto de R$ 376,4 milhões nas contas de 2014.

Para Rui Affonso, diretor econômico-financeiro e de relações com investidores da Sabesp, o reajuste de 13,8% autorizado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) não garante o equilíbrio financeiro da empresa. “O que propomos para a Arsesp e estamos pleiteando de boa fé é o que achamos que é o necessário para continuar prestando os serviços que a população exige”, disse. “Nós precisamos atravessar 2015 sem rodízio, sem interrupção das obras e sem complicar mais a vida do consumidor.”

Por causa da crise, a Sabesp registrou uma queda de 6,7% na receita operacional em relação ao ano anterior e de 53% no lucro. Levantamento feito pelo Estado mostra que em 14 meses a crise hídrica custou ao menos R$ 1 bilhão aos cofres da estatal, incluindo também os gastos com obras emergenciais, campanhas publicitárias e tratamento com água. De acordo com Affonso, se a situação financeira da empresa melhorar, a tarifa poderá ser reduzida.

Mais R$ 11,94 por mês. Segundo a Sabesp, o reajuste de 22,7% proposto aumentaria o valor da conta em R$ 11,94 por mês para 75% de seus clientes da Grande São Paulo, que consomem até 13 mil litros de água mensais. O aumento seria R$ 4,58 superior ao do reajuste autorizado pela Arsesp, de 13,8%. A reivindicação da Sabesp e as contribuições feitas pelas entidades nesta quarta-feira, 15, serão analisadas pela diretoria da Arsesp, que divulgará ainda neste mês o reajuste liberado. A aplicação deve ser feita já nas contas de maio. O último aumento na tarifa foi de 6,5% e vigora desde 27 de dezembro. Entre janeiro e março, a inflação acumulada foi de 3,83%. “Muito embora a lei permita essa revisão extraordinária da tarifa, a gente não pode aceitar que seja repassado para o consumidor o aumento da tarifa da energia elétrica, porque todos nós já estamos pagando por isso na nossa conta”, disse Sônia Amaro, supervisora da Proteste. “Os R$ 12 na minha conta, todos os meses, representam, sim, uma conta muito alta para um serviço que não está sendo tratado direito. Todos os dias, tenho corte de água na minha casa”, criticou Marlene Hirata, de 45 anos, professora que participou da audiência nesta quarta-feira. “Não é razoável e muito menos justo premiar uma administração imprudente em detrimento dos usuários”, afirmou a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) nesta quarta-feira. / COLABOROU FABIO LEITE

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