Estadão
Estadão

Sabesp fecha contratos sem licitação para interligação da Billings

Ligação com a Represa Taiaçupeba é a principal aposta de Alckmin para atravessar período de seca sem decretar rodízio oficial 

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) assinou dois novos contratos sem licitação, no valor de R$ 46,6 milhões, para fazer a interligação das Represas Billings e Taiaçupeba, na Grande São Paulo. Avaliada em R$ 130 milhões, a obra é a principal aposta do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para conseguir atravessar o período de seca (abril a setembro) sem precisar decretar rodízio oficial no abastecimento.

Segundo a Sabesp, a interligação tem “caráter emergencial” e está prevista no plano de contingência para o enfrentamento da crise hídrica neste ano. A obra visa a transferir 4 mil litros por segundo do Sistema Rio Grande, braço limpo da Billings, que estava nesta quinta-feira, 26, com 98% da capacidade, para o Alto Tietê (23,1%) O objetivo é reduzir ainda mais a retirada de água do Sistema Cantareira (18,2%) para evitar o colapso do maior manancial. A previsão é de que ela seja concluída até julho.


Os novos contratos foram assinados com as empresas DP Barros Pavimentação e Construção Ltda. (R$ 30,2 milhões), que ficará encarregada das obras aquáticas do projeto, e Jofege Pavimentação e Construção Ltda. (R$ 16,4 milhões), responsável pelas obras terrestres. Ambas já haviam sido contratadas sem licitação em março de 2014 pela Sabesp para executarem as obras para captação do volume morto do Cantareira. Na ocasião, os contratos somaram R$ 49 milhões.

A Sabesp afirma que todos os negócios estão respaldados no artigo 24 da Lei Federal 8.666, de 1993, que prevê dispensa de licitação nos casos de emergência ou calamidade pública que possam comprometer a segurança das pessoas. Neste caso, as obras devem ser concluídas no prazo máximo de seis meses. 

Segundo a companhia, houve cotação de preços “com empresas que apresentaram qualificação técnica, bom histórico de performance e capacidade de iniciar imediatamente os serviços”, com infraestrutura própria adequada. “A obra foi apresentada a todas as empresas interessadas para fins de precificação. Foram escolhidas as que apresentaram o menor valor em relação aos demais interessados e ao preço de tabela Sabesp”, informa.

Os contratos emergenciais da Sabesp são alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE). Segundo o promotor Otávio Garcia, do Patrimônio Público, o objetivo do inquérito é apurar se as obras feitas sem licitação se tornaram emergenciais por falta de planejamento da companhia. Até o início deste ano, essas contratações, segundo ele, já haviam ultrapassado os R$ 160 milhões.

Na terça-feira, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse durante um seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que está contando com a “compreensão de todos que podem atrasar essas obras, porque a população precisa de água”. Segundo o dirigente, se as obras emergenciais forem concluídas dentro do prazo e a população continuar economizando água, é possível chegar à próxima estação chuvosa, que começa em outubro, sem o rodízio oficial.

A meta, segundo ele, é obter 6 mil litros por segundo adicionais para reduzir a produção do Cantareira dos atuais 14 mil para 9 mil l/s durante os meses de estiagem. “Nós já reduzimos a retirada do Cantareira em 58% (antes da crise, a produção era de 32 mil l/s). Vamos reduzir mais ainda para não deixar o sistema secar.” 

Interligação. Conforme o Estado mostrou nesta semana, a obra emergencial definida pela Sabesp para socorrer o Alto Tietê deverá captar água da parte poluída da Billings. Isso porque a estatal vai retirar 4 mil l/s do Braço Rio Pequeno (o dobro da sua capacidade), que está diretamente ligado ao corpo central que recebe o esgoto do Rio Pinheiros, para suprir a retirada do mesmo volume do Rio Grande para a Represa Taiaçupeba.

Somente neste trecho da obra, a companhia estima gastar R$ 20 milhões. No projeto original de ligação dos dois braços, estava previsto o barramento do Rio Pequeno, que tem água de melhor qualidade que o corpo central, e a retirada de 2 mil l/s. Agora, a Sabesp desistiu de separar esse pedaço do reservatório para captar mais água. A empresa afirma que a água sempre foi usada ali com extremo cuidado e monitorada.

Tudo o que sabemos sobre:
Crise da águaRepresa Billings

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.