Pedro Venceslau/Estadão
Pedro Venceslau/Estadão

Sabesp está em ‘penúria hídrica’, diz secretário

Benedito Braga afirma que prioridade é prover água; segundo ele, chance de rodízio é ‘zero’ se Cantareira recuperar o volume morto

Pedro Venceslau e Fabio Leite , O Estado de S. Paulo

02 de março de 2015 | 11h31

Atualizada às 23h33

MOGI DAS CRUZES - A chance de o governo Geraldo Alckmin (PSDB) decretar o rodízio oficial de água na Grande São Paulo só é “praticamente zero” se o volume morto do Sistema Cantareira for recuperado neste mês. A sinalização foi dada nesta segunda ao Estado pelo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, em encontro com prefeitos da região do Alto Tietê. Diante da cobrança por investimentos, ele afirmou que o cenário atual é de “penúria hídrica e financeira”.

“Se nós chegarmos ao nível zero do volume útil no início de abril, as chances de mudarmos o sistema que temos hoje de consumo é praticamente zero”, afirmou Braga, referindo-se à adoção de um rodízio oficial em vez da estratégia de reduzir a pressão e fechar a rede durante parte do dia. A declaração é feita logo após o manancial que abastece 6,5 milhões de pessoas registrar o fevereiro mais chuvoso dos últimos 20 anos.

Para chegar ao “nível zero”, quando a captação de água pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) voltaria a ser feita por gravidade, sem a necessidade de bombeamento, o Cantareira precisa subir 17,5 pontos porcentuais - 2,5 vezes mais do que em fevereiro, quando o índice cresceu 6,6 pontos.

Segundo a Sabesp, o Cantareira recebeu 322,4 milímetros de chuva no mês passado, o melhor resultado para fevereiro desde 1995, com 388 mm. A pluviometria ficou 62% acima da média histórica e ajudou a triplicar a vazão afluente (total de água que chega às represas) em relação a janeiro passado e fevereiro de 2014.

Braga participou nesta segunda-feira, 02, em Mogi das Cruzes de uma reunião sobre a crise hídrica. Em sua fala, ele afirmou que o cenário ainda é preocupante e as previsões feitas pelos institutos climatológicos contratados pelo governo são de meses secos. “Não há boas perspectivas climatológicas até maio”, afirmou. “Estamos com um controle um pouquinho melhor da situação, mas ainda não chegamos ao térreo do reservatório. O próximo trimestre será seco. Temos de estar preocupados.”

O secretário lembrou que, historicamente, “em março chove um pouco, abril um pouco menos e em maio já é estiagem”. O período volta só em outubro. Questionado por prefeitos sobre o rodízio, foi enfático: “Não há rodízio no nosso plano”. 

Braga disse que as chuvas de fevereiro ajudaram a encharcar o solo seco, o que deve reduzir o “efeito esponja”. “Como fevereiro foi um mês com chuvas acima da média, houve infiltração de água no solo. Isso dá o que a gente chama de escoamento básico. Se chover abaixo da média não significa que as vazões estarão muito ruins. Já tem água no solo dando escoamento.”

Penúria. Diante da cobrança dos prefeitos por mais investimentos da Sabesp em esgoto e saneamento em suas cidades, Braga respondeu que a prioridade da Sabesp neste momento é prover água. “Estamos em penúria hídrica e financeira.”

A reunião foi comandada pelo prefeito de Mogi das Cruzes, Marco Aurélio Bertaiolli (PSD), e teve a presença do superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ricardo Borsari, e de mais oito prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat). “Os municípios não têm gestão direta sobre a crise hídrica, mas a resultante recai em nossas cidades. Portanto, é o prefeito que enfrenta o problema”, disse Bertaioli (PSD).

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