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Sabesp diz que redução de pressão atinge 2% das pessoas e nega racionamento

Sabesp diz que redução de pressão atinge 2% das pessoas e nega racionamento

Presidente da companhia, Dilma Pena depôs nesta quarta-feira, 8, em CPI na Câmara Municipal

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2014 | 13h07

Atualizada às 22h58

SÃO PAULO - A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, disse nesta quarta-feira, 8, que a redução da pressão noturna da água na rede de distribuição “atinge 2% da população” da Grande São Paulo, cerca de 400 mil habitantes. Em audiência na Câmara Municipal, ela voltou a negar a prática de racionamento nas cidades operadas pela empresa - são 373 no Estado, incluindo a capital.

“Não há racionamento de água no Estado de São Paulo. Todas as redes estão pressurizadas em tempo integral”, afirmou Dilma em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o contrato da companhia com a Prefeitura e os casos de falta d’água na capital.

“Existe, sim, uma diminuição da pressão noturna que atinge, em média 1% ou 2% da população. Quando a maioria das pessoas está em repouso, não tem por que as redes ficarem pressurizadas como ficam durante o dia, às 2 horas da tarde, ao meio-dia”, afirmou Dilma.

A redução da pressão noturna da água foi revelada pelo Estado em abril e, para alguns especialistas, significa racionamento. A medida tem provocado falta d’água em algumas regiões da cidade entre 22 horas e 6 horas. Segundo a Sabesp, essa prática é adotada desde 2007 e foi intensificada neste ano com objetivo de reduzir as perdas de água por vazamento na rede de distribuição durante a crise de estiagem.

“Não existe racionamento. Existem, sim, não nego, falta de água pontual em áreas muito altas, muito longe dos reservatórios setoriais de abastecimento ou em residências onde moram muitas pessoas e a capacidade de reservação é muito pequena”, afirmou Dilma.

Segundo ela, o racionamento é a medida mais “simplória” para se tomar diante de uma crise de seca nos mananciais, mas a empresa preferiu não adotá-lo porque penalizaria os mais pobres, que não têm grandes caixas d’água. 

Vereadores da CPI, contudo, discordam da presidente da Sabesp. “Não nos interessa a terminologia que se usa, o que interessa é que falta água na cidade de São Paulo. Isso é fato”, disse o vereador Laércio Benko (PHS), presidente da comissão.

‘Mentira’. Para José Eduardo Ismael Lutti, promotor do Meio Ambiente, a afirmação de que a redução da pressão noturna atinge 2% da população “é mentira”. “É muito mais. A região leste da capital (tem racionamento). (Na zona oeste) Tirando o Alto da Lapa, o City Lapa, Vila Leopoldina, Vila Hamburguesa, até perto de Pinheiros, todas as noites não tem água. É não é para condomínio que tem caixa lá em cima. É para casas, sobrados”, disse Lutti.

Em nota, a Sabesp informou que “98% dos imóveis atendidos na Grande São Paulo não estão expostos a esse risco (ficar sem água por causa da redução da pressão)”. “Os demais estão em pontos muito altos ou distantes do sistema.”

Volume morto. Questionada sobre a possibilidade de proibição de uso da segunda cota do volume morto do Cantareira solicitada em ação judicial pelo Ministério Público, Dilma disse ter “convicção de que teremos essa autorização” e não respondeu se há uma outra alternativa para manter o abastecimento.

Segundo ela, os cerca de 50 bilhões de litros que restam da primeira cota da reserva profunda dos reservatórios são “suficientes para até meados de novembro”, caso não chova, e que, se a crise de estiagem no manancial se repetir como no último verão, a água da segunda reserva, de 106 bilhões de litros, dura “até março ou meados de abril”. O uso dessa nova parcela do volume morto ainda não foi autorizado pelos órgãos reguladores do sistema.

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