Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Sabesp divulga novo cálculo sobre nível do Sistema Cantareira

Medida diminuiu nível de armazenamento em 3,4 pontos. Mas MP critica solução e dá dez dias para que se admita que o nível é negativo em 13,5%

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2015 | 18h12

Atualizada às 21h01

SÃO PAULO - Dez meses após iniciar a retirada inédita de água do volume morto do Sistema Cantareira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) divulgou nesta terça-feira, 17, um novo cálculo sobre o índice do manancial. A medida diminuiu o nível de armazenamento em 3,4 pontos porcentuais. 

Segundo a Sabesp, a alteração “faz parte da estratégia da companhia de dar ainda mais transparência às informações sobre índices de mananciais e em atendimento à recomendação do Ministério Público para que fossem detalhados, em formato gráfico, os volumes existentes armazenados”.

Em nota divulgada nesta terça, o Ministério Público afirmou que “a nova forma de apresentação” sobre o Cantareira “não atende à recomendação que solicitava a divulgação dos volumes negativos”, feita em fevereiro. O MP deu prazo de dez dias para a regularização.


Pelo novo cálculo, o Cantareira tinha nesta terça 11,9% da capacidade. Na metodologia usada até agora, que será mantida pela companhia em seu site, o nível do sistema estava em 15,3%. Na prática, as duas contas consideram o mesmo volume de água armazenada: 150,6 bilhões de litros. O que muda é a base de comparação. 

Até agora, o índice divulgado pela Sabesp considerava o volume de água disponível no sistema no dia e o dividia pela capacidade normal do manancial, de 982 bilhões de litros que podem ser represados acima do último túnel de captação, que marca o nível zero do sistema. Essa reserva, chamada de volume útil, esgotou-se completamente no dia 10 de julho de 2014. Neste cálculo, os 150,6 bilhões de litros armazenados nesta terça representam 15,3% da capacidade. 

No novo índice, a Sabesp incluiu os 287,5 bilhões de litros das duas cotas do volume morto na capacidade máxima do sistema, que saltou de 982 bilhões para 1,26 trilhão de litros. Desta forma, os 150,6 bilhões de litros equivalem a 11,9%. 

‘Erro’. Segundo o promotor de Justiça Ricardo Manuel Castro, “há evidente erro aritmético”. Para ele, “os índices deverão ser divulgados com a exata indicação de que opera com índices negativos de armazenamento”. Na prática, o Cantareira opera com nível 13,5% negativo, segundo boletim divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA). O índice representa os 132,5 bilhões de litros de volume morto consumidos que ainda não foram recuperados. 

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