Luis Moura/Estadão
Luis Moura/Estadão

Sabesp deve aumentar tarifa de água acima da previsão em dezembro

Crise tem prejudicado resultado da companhia nos últimos meses, o que fez a Sabesp decidir repassar aumento maior aos consumidores

Edgar Maciel, O Estado de S. Paulo

14 Novembro 2014 | 16h02

Atualizada às 20h14

SÃO PAULO - Só no terceiro trimestre deste ano, a crise hídrica fez a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) deixar de lucrar R$ 383,5 milhões (recuo de 80% em relação ao mesmo período de 2013). Com lucro líquido de R$ 91,5 milhões, a empresa anunciou nesta sexta-feira, 14, que pretende reajustar a tarifa de água em dezembro acima dos 5,44% estabelecidos em abril. Na prática, cobrará um repasse maior dos consumidores, do qual havia aberto mão no início deste ano.

Em comunicado oficial, a Sabesp informa que solicitou à Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp) um recálculo das tarifas que entrariam em vigor no próximo mês. No primeiro semestre, com a queda acentuada do nível do Sistema Cantareira, a autarquia optou por não aumentar a conta de água e apostar no bônus de 30% para diminuir o consumo. 

“Não sabemos de quanto será essa atualização, cabe à agência reguladora”, disse o diretor econômico-financeiro da companhia, Rui Affonso. Segundo a Arsesp, a requisição da Sabesp foi entregue ontem à tarde e os conselheiros devem votar o pedido de reconsideração até o fim da próxima semana para que o reajuste comece a valer em 1.º de dezembro. O reposicionamento tarifário terá como base os 5,44% somados a uma porcentagem adicional.

Conforme a Sabesp, o programa de bônus teve um impacto de R$ 127 milhões, o que afetou o resultado da companhia, juntamente com a queda no volume faturado total - que caiu 4,6% até novembro. O diretor destacou que não se pensa em um novo aumento do programa de bônus para o ano que vem. “A intensificação do programa de bônus agora visou exatamente a enfrentar o período mais crítico do aumento do consumo, quando faz mais calor. Um novo aumento dependerá da reação dos consumidores e do nível de pluviometria.”

Outra medida que a companhia deverá adotar nos próximos meses é a contenção mais intensiva das despesas, com gastos previstos apenas para obras prioritárias. “Não passa pelo nosso radar uma renegociação das obrigações porque estamos tomando todas as medidas para que isso não seja necessário”, acrescentou Affonso.

No início do ano, a Sabesp definiu um orçamento de R$ 2,642 bilhões para investimentos, mas, segundo a área financeira da companhia, o valor deverá ficar abaixo da meta. Até setembro, foram investidos R$ 2,3 bilhões. “A Sabesp conteve seus investimentos em alguma proporção, mas significativamente inferior ao que ela conteve de despesa. Isso porque alguns investimentos foram postergados, mas substituídos por outros para garantir a segurança hídrica. Um acabou compensando o outro”, explicou o diretor econômico-financeiro. 

Ele comentou ainda que o plano de investimentos estadual para aumentar a segurança hídrica até 2017 inclui quatro projetos associados à Sabesp que, juntos, exigirão investimentos de R$ 1 bilhão. Um dos projetos é a interligação da bacia do PCJ, onde fica o Cantareira, com a bacia do Paraíba do Sul, com conclusão prevista para 2016.

Reserva. Mesmo se a crise hídrica persistir, a Sabesp afirma que não trabalha com a adoção de um racionamento, que seria a última alternativa a ser considerada pela empresa em 2015. “O racionamento é uma estratégia, mas a Sabesp não adotou essa estratégia porque não é a melhor. É a última alternativa, e não a primeira”, afirmou Affonso. “A expectativa é de que não seja necessário nem usar toda a água da segunda cota (do volume morto do Cantareira, cuja captação já foi autorizada pela Agência Nacional de Águas)”, afirmou. / COLABOROU STEFÂNIA AKEL

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