Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Sabesp descarta água para evitar transbordamento

Medida evita transbordamento e deve continuar caso as chuvas fora de época não parem

Daniel Gonzales, Jornal da Tarde,

30 de setembro de 2009 | 08h27

A alta nos níveis de água dos principais mananciais da Grande São Paulo, provocada pelas chuvas fora do comum neste ano, obrigou a Sabesp a jogar milhões de litros de água fora, ontem, para evitar o transbordamento das represas. Está sobrando tanta água que as operações antiextravasamento devem continuar, se o ritmo das chuvas se mantiver. Há até um reservatório, o Alto Cotia, na região metropolitana, que ostentava ontem uma inédita marca de 101,4% de sua capacidade.

Apenas na Represa do Guarapiranga, na zona sul, responsável pelo abastecimento de 5,5 milhões de pessoas na capital, a Sabesp deixou as comportas que dão para o Rio Pinheiros, que funcionam como ralos, abertas por três horas na manhã de ontem. Foram "pelo ralo" (para o rio) 64,8 milhões de litros de água, o equivalente a 10.800 caminhões-pipa. Reaproveitar a água é impossível, segundo a empresa: exigiria captá-la, tratá-la e transportá-la, o que é custoso e difícil.

A vazão de escape, de 6 mil litros (ou um caminhão-pipa) por segundo, correndo pelos vertedouros, foi considerada "monstruosa" por um técnico da empresa que participou do exercício. Funcionou como teste para outras operações de controle de cheias que podem ocorrer nos próximos meses. O objetivo da Sabesp, que repetirá a descarga hoje, foi testar a rapidez com que o esquema antitransbordamento é acionado, se for necessário prevenir alagamentos nas beiras dos mananciais, bem como válvulas e equipamentos que não eram ligados desde 1999.

Mesmo assim, à tarde, a Guarapiranga ainda tinha excesso crítico de água: 94,4% da capacidade ocupada, o maior nível desde 1983. "Ainda temos uma margem para encher mais 1% a 2%", explicou Hélio Luiz Castro, superintendente de Produção da Sabesp. Caso o nível suba ainda mais, comportas de dispensa ficarão abertas por mais tempo.

Operações anticheia também ocorreram ontem nos reservatórios Cantareira, Alto Tietê e Rio Grande. No Alto Cotia, onde não cabe mais água, as válvulas de escape ficam abertas para que a água possa verter pelo Rio Cotia.

Segundo Castro, nesta época do ano é normal que os reservatórios estejam com 30% a 50% da capacidade, por causa da estiagem, o que não ocorreu em 2009. A capacidade é recuperada no verão. "Usualmente, de outubro a março, as represas enchem; de abril a setembro, esvaziam", explica. "Essa situação, de chegarmos no fim do inverno com tudo quase no máximo, é totalmente atípica."

O doutor em Recursos Hídricos pela USP Maurício Waldman avalia que o acúmulo de água passa pela questão da falta de permeabilidade dos solos da cidade. "Tem a ver com o modelo de urbanização, com o excesso de concreto, que impede que a água das chuvas seja absorvida pelo solo", afirma ele.

Atípico

Até ontem, o volume de chuva acumulado em setembro deste ano na capital é de 192 milímetros - quantidade 86% acima da média para o mês, que é de 81 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Para André Madeira, meteorologista da Climatempo, o volume acumulado no mês é reflexo do inverno atípico e da presença de frentes frias sobre o Estado. A primavera deve ser chuvosa.

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