Sabesp confirma possibilidade de racionamento de água na Grande SP

Diretor afirma que falta de chuva pode levar a ‘medidas drásticas’; sem grandes precipitações, Cantareira pode secar em 90 dias

Gabriela Vieira e Ricardo Brandt / CAMPINAS - Atualizado no dia 1/2, às 10h08, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2014 | 17h27

O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp), Paulo Massato, confirmou nessa sexta-feira, 31, que há possibilidade de a empresa adotar racionamento de água na Grande São Paulo. Com o mês de janeiro mais seco da história, o Sistema Cantareira atingiu o nível mais baixo (22,2% da capacidade) desde que foi criado, em 1974. E seus reservatórios, que abastecem 8,8 milhões na Região Metropolitana e 5,5 milhões em Campinas, podem secar em 90 dias.

"Se isso ocorrer, serão necessários pelo menos cinco anos para que voltem a reservar uma quantia de água considerável. É preciso imediatamente racionalizar o uso de água para que não haja racionamento, quando chegar a seca, durante a Copa", alertou o secretário executivo do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, Francisco Lahoz.

O problema vem de 2013, quando em 9 dos 12 meses as médias de chuva ficaram abaixo das esperadas. Segundo os dados da Sabesp, no ano passado todo choveu 1.090 mm nas sete represas que compõem o Cantareira, quando o volume esperado era de 1.566 mm.

Em entrevista ao Broadcast Político, serviço do Grupo Estado, Paulo Massato explicou que em dezembro choveu 60 milímetros, e a mínima histórica para o mês até então era de 104 mm.

Neste janeiro, a situação se agravou: choveu muito menos do que o registrado em janeiro de 1953, na pior seca da história. Nas Represas Jaguari e Jacareí - que armazenam até 850 bilhões de litros de água dos 990 bilhões de litros possíveis - choveu 80,3 milímetros em janeiro. Em 1953, no mesmo mês e ponto de medição (em Vargem), choveu 154,9 mm.

Além de lançar campanhas de conscientização, a Sabesp já alterou o abastecimento da zona leste da capital, que concentra 1,6 milhão de consumidores. Anteriormente abastecida pelo Sistema Cantareira, a região agora bombeia água do Alto Tietê. Mas Lahoz alerta que, se o Cantareira baixar mais de 20% de seu nível, os reservatórios deixarão de compartilhar água.

"Se não chover dentro da média nos próximos meses, a Sabesp terá de adotar medidas mais drásticas", admitiu Massato ontem. Questionado sobre a possibilidade de racionamento de água, o diretor confirmou que o risco "sim, existe".

Consumo. O diretor metropolitano da Sabesp ressaltou que, além da escassez de chuvas, o consumo de água está acima da média, consequência das temperaturas mais elevadas. "Todas as nossas unidades de tratamento na região (Grande São Paulo) estão produzindo acima da média. Estamos atingindo um recorde de produção de 74,2 mil litros por segundo, acima da capacidade nominal, que é de projeto, de 73 mil litros."

Sobre a possibilidade de a empresa ficar sujeita a multas pelo desabastecimento temporário ou, então, realizar descontos na conta dos consumidores por um possível racionamento, Massato respondeu que a decisão cabe à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). "Mas eu acredito que a Arsesp vai entender a situação. Há desconforto? Claro que há. Mas a intermitência não é estrutural, é climática."

Ele destacou ainda que a região da Grande São Paulo não tem recursos hídricos que já não estejam sendo explorados pela companhia.

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