Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Sabesp alega 'vazamento' e Alckmin adia entrega de obra

Inauguração de principal ação emergencial para enfrentar a crise hídrica seria feita na manhã desta quarta e foi mudada para a tarde

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 09h06

Atualizado às 15h15

RIBEIRÃO PIRES - O governo Geraldo Alckmin (PSDB) alegou um "vazamento" em uma tubulação e adiou na manhã desta quarta-feira, 30, em cima da hora, a inauguração da transposição de água da Billings para o Sistema Alto Tietê, considerada a principal obra para garantir o abastecimento da Grande São Paulo neste ano e evitar o rodízio. 

A obra, que vai levar 4 mil litros por segundo do braço Rio Grande da Billings, no ABC paulista, para a Represa Taiaçupeba, em Suzano, seria inaugurada às 9h30 desta quarta-feira por Alckmin - a medida deve beneficiar cerca de 1,2 milhão de pessoas, segundo o governo. Alckmin havia prometido a entrega da obra inicialmente para maio e, por fim, para setembro. Por causa disso, o tucano insistiu aos integrantes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que o evento fosse realizado ainda na tarde desta quarta-feira. O evento foi remarcado pela companhia para as 16h.

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, visitou a obra nesta quarta-feira acompanhado de diretores e superintendentes da empresa e disse que "o atraso de poucas horas ou dias não tem efeito nenhum para a segurança hídrica". Segundo ele, "não há nenhuma possibilidade de que a água do Rio Grande [braço limpo da Billings] venha a esvaziar com esse uso e o rodízio em 2015 não ocorrerá".

Em nota, a companhia informou que a inauguração foi adiada "em decorrência de problemas técnicos" na estrutura construída em quatro meses para socorror o Alto Tietê. "Durante o processo de carregamento da tubulação foi detectado um vazamento em uma junta submersa. Mergulhadores estão no local trabalhando para solucionar a questão. Estas ocorrências fazem parte da fase de operação assistida da obra, conforme já anunciado. Tão logo os ajustes sejam feitos a obra entrará em operação", afirmou a estatal.

Vazamentos. Segundo o superintendente de Gestão de Empreendimentos da Sabesp, Guilherme Paixão, dois vazamentos foram detectados na madrugada desta quarta-feira durante a operação assistida da transposição, realizadas por técnicos da empresa. Os problemas ocorreram na conexão de dois tubos em dois pontos da tubulação na parte inundada da obra, em Rio Grande da Serra.

Um dos vazamentos, que chegou a jorrar água a cinco metros de distância após o acionamento das bombas, segundo operários da obra, foi solucionado no início do dia. O segundo, na parte aquática, estava sofrendo reparo ao longo da manhã com ajuda de mergulhadores. "Nesta fase de testes é perfeitamente comum que tenhamos de fazer alguns ajustes em possíveis vazamentos. É uma obra grande e inovadora e esses problemas já estão sendo reparados", disse Paixão.

Segundo ele, na terça-feira, 29, a Sabesp já havia constatado três problemas envolvendo válvulas, que foram consertados ainda à noite.    

Orçada em R$ 130 milhões, a transposição vai levar água do braço Rio Grande da Represa Billings, que está cheio, para a Represa Taiaçupeba, do Sistema Alto Tietê, que está praticamente vazio. Com o reforço de 4 mil litros por segundo, a Sabesp espera recuperar o segundo maior manancial da Grande São Paulo e depois avançar em bairros que ainda são atendidos pelo Sistema Cantareira, que opera há mais de um ano no volume morto, a reserva profunda das represas.

Na semana passada, o Estado revelou que a transposição de água da Billings poderá ser suspensa dependendo do nível de contaminação da represa por cianobactérias (algas), que se formam a partir do lançamento de esgoto no manancial.

A suspensão do bombeamento está prevista em um plano de contingência para cianobactérias elaborado pela Sabesp em conjunto com a Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) e o Centro de Vigilância Sanitária do Estado.

Segundo a Sabesp, a possível suspensão não vai afetar o abastecimento de água para a população da Grande São Paulo. A transposição ainda é questionada na Justiça em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE), que apontou falhas no licenciamento ambiental da obra. O mérito do caso ainda não foi julgado.

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