NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Sabesp afirma que reajuste de 13,8% 'está aquém' do necessário

Diretor diz que companhia identificou itens a serem revistos; porcentual do aumento foi autorizado por agência reguladora

Fabio Leite e Stefânia Akel , O Estado de S. Paulo

31 Março 2015 | 11h46

Atualizada às 20h25
SÃO PAULO - A Sabesp ainda pretende pedir reajuste na conta de água maior do que os 13,8% autorizados pela agência reguladora. Segundo o diretor econômico-financeiro da estatal, Rui Affonso, o índice “está aquém” do que a empresa havia calculado para repor as perdas com a crise hídrica.
“A Sabesp identificou itens a serem revistos em relação ao que a agência reguladora propôs. Nossa visão é que esse aumento está aquém do que tínhamos calculado para garantir o equilíbrio econômico-financeiro”, disse Affonso, nesta terça-feira, 31, durante teleconferência com analistas, investidores e jornalistas.
A reivindicação da Sabesp será feita durante a consulta pública aberta pela Arsesp para receber sugestões - válida até 15 de abril, quando deve ocorrer uma audiência pública. Somente após esse processo, a agência publicará qual o porcentual final do aumento. O último reajuste, de 6,5%, foi aplicado em dezembro. 

Conforme o Estado revelou nesta terça, a Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) autorizou um reajuste extraordinário nas contas de água e esgoto da Sabesp de 13,8%, dos quais 6,3% são para repor as perdas da companhia com a queda do consumo de água por causa da crise e aumento da tarifa de energia elétrica, além de 7% de correção inflacionária.
Valor adequado. Affonso não revelou qual o reajuste considerado adequado pela Sabesp. Segundo ele, a companhia não solicitou um índice específico de aumento e não incluiu no pedido as perdas de R$ 376 milhões com o bônus concedido em 2014 na conta de clientes que reduziram o consumo de água. “A Sabesp entende que bônus é uma opção da Sabesp para o enfrentamento da crise e, portanto, não deve ser repassado.”
De acordo com o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, um dos pontos de discórdia no cálculo é o desconto do fator de produtividade, ou fator x, no índice do reajuste. “O fator x diz que, em condições normais, quando a empresa, sem investir, está vendendo mais um produto que é monopolista, não é justo que ela se aproprie desse ganho sem ter feito esforço para isso. Nossa situação é contrária. Estamos vendendo menos o nosso produto por algo independente da nossa vontade. Deveríamos ter um fator x negativo e não identificamos isso”, disse Kelman.
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