Marcel Naves/Estadão
Marcel Naves/Estadão

Sabesp abre comportas do Cantareira em região alagada na Grande SP

Medida foi adotada para evitar rompimento da barragem Paiva Castro, em Franco da Rocha; Presidente da companhia afirma que 'tragédia seria muito pior' se represa não existisse

Fabio Leite e Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

11 Março 2016 | 14h37

SÃO PAULO - Quatro dias após decretar o fim da crise hídrica, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) teve de abrir as comportas da Represa Paiva Castro, entre as cidades de Franco da Rocha e Mairiporã, na região metropolitana, para evitar na manhã desta sexta-feira, 11, o rompimento da barragem que integra o Sistema Cantareira.

Ao menos 18 pessoas morreram e 11 estão desaparecidas no Estado de São Paulo por causa de deslizamentos de terra e enchentes provocadas pelas fortes chuvas ocorridas entre a noite de quinta-feira, 10, e a madrugada desta sexta. A maior parte das vítimas está concentrada nas cidades da parte norte da região metropolitana, como Caieiras, Francisco Morato e Mairiporã. 

Segundo a Sabesp, as comportas foram parcialmente abertas por volta das 6h30 por causa das chuvas intensas na região da Represa Paiva Castro, que chegou a 99,4% da capacidade nesta sexta. Na quinta, o nível estava em 35%. Desde às 2h30, a Sabesp já havia comunicado a Defesa Civil que o reservatório estava sendo operado no "modo de emergência", para controle de cheias, conforme regra definida em 2004 na outorga do Sistema Cantareira.   

"Foi bom que tínhamos 65% do reservatório vazio. Isso significa que 5,5 bilhões de litros que estariam inundando as ruas de Franco da Rocha estão retidos no reservatório. Embora a tragédia seja grande, ela teria sido maior ainda se não existisse a Represa de Paiva Castro", disse Kelman.

Emergência. Ainda de acordo com a Sabesp, entre as 18 horas de quinta e as 6 horas desta sexta, o volume acumulado de água que entrou na Paiva Castro foi de 5,42 bilhões de litros, 71% da capacidade total da represa. Segunda a Sabesp, a vazão afluente média pelo Rio Juquery neste período foi de 125 mil litros por segundo, enquanto que a média para março é de 6,7 mil litros por segundo. 

Segundo Kelman, a vazão de água descarregada da barragem começou em 10 mil l/s no início da manhã e chegou a 50 mil l/s a partir do meio-dia desta sexta. "É possível que talvez tenhamos que aumentar essa vazão para 80 mil l/s até que o reservatório atinja o nível de segurança, que é de 70%", explicou o presidente da Sabesp. 

Situação semelhante ocorreu pela última vez em janeiro de 2011, quando a Sabesp também abriu as comportas da Paiva Castro e Franco da Rocha ficou alagada durante dias. "Não dava para evitar a abertura das comportas. Caso contrário corre o risco de a barragem romper. Mas quando as comportas são abertas, a água estaciona na nossa cidade. Foi assim em 2011 e agora", disse o prefeito de Franco da Rocha, Kiko Celeguim (PT). 

"O que precisamos mesmo para evitar esse cenário é a construção dos dois piscinões previstos no Plano de Macrodrenagem do Estado para nossa cidade. Esses piscinões teriam capacidade para armazenar cerca de 400 milhões de litros de água. Isso ajudaria, certamente, a reduzir os impactos de enchentes com essa. Mas, desde 2011, quando foram previstos, só a Prefeitura fez sua parte, desapropriando os terrenos. O governo federal não encaminhou os recursos prometidos e o governo estadual não licitou a obra", completou o prefeito.

 

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