Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Sabesp abre comporta e isola Franco da Rocha

Medida evitou que represa transbordasse, mas manteve centro da cidade submerso

Bruno Paes Manso e Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2011 | 00h00

A abertura das comportas da Represa Paiva Castro, uma das quatro do Sistema Cantareira de abastecimento de água, foi determinante para ilhar a cidade de Franco da Rocha, município de 130 mil habitantes localizado na Grande São Paulo. À meia-noite de ontem, a vazão de águas despejadas da represa para o Rio Juqueri, que corta o município, passou de 1 m³ para 80 m³ por segundo, condição que manteve a cidade embaixo d"água.

A decisão, tomada pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), visava a evitar o transbordamento da represa, que no dia anterior havia chegado a 97% de sua capacidade de armazenamento.

"Caso a barragem fosse transposta pela água, como é feita de terra, haveria corrosão e risco de ruptura. A decisão que tomamos foi técnica e está respaldada pelos órgãos reguladores", afirmou ontem o diretor da Região Metropolitana da Sabesp, Paulo Masato.

A chuva começou a castigar Franco da Rocha na noite de segunda-feira. A mesma chuva frontal que atingiu a capital foi suficiente para deixar o município alagado, com o Rio Juqueri cortando a cidade com uma vazão de cerca de 50 m³/s. Nesse momento, a vazão despejada pela represa ainda era de 1 m³/s. Segundo a Sabesp, a Defesa Civil foi avisada que as comportas seriam abertas antes das 8 horas de terça-feira, quando a vazão passou para 15 m³/s.

Com as comportas despejando 80 m³/s de água, o volume do rio mais que dobrou e a cidade ficou submersa. Ontem, às 14 horas, o volume despejado havia caído para 50 m³/s e a previsão era de baixar para 10 m³/s na noite de ontem. "Com essa vazão, o rio volta para a calha", disse Masato. A represa ontem ainda estava 90% cheia.

Tarde demais. Sem gabinete, o prefeito Márcio Cecchetini foi para uma escola municipal. Cecchetini criticou a forma como a Sabesp alertou sobre a vazão. "O aviso veio muito tarde e por telefone", disse o prefeito, que também reclamou sobre a imprecisão do aviso. Cecchetini decretou estado de emergência.

Algumas vias que dão acesso à cidade foram danificadas e os trilhos de trem entre as Estações Franco da Rocha e Caieiras da Linha 7 - Rubi ficaram debaixo d"água, deixando milhares de pessoas sem conseguir chegar a São Paulo. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) acionou um plano emergencial e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) pôs em circulação 60 veículos adicionais entre as cidades.

A água transformou a região central de Franco da Rocha em uma lagoa. Prefeitura, Câmara Municipal e Fórum ficaram totalmente submersos. Pelo menos 15 comércios estavam interditados pelas águas, que encobriam os portões até a metade.

Pelo menos 50 casas ficaram alagadas mas, segundo a Defesa Civil, nenhuma família foi para abrigos. A casa do motorista Otacílio Tavares, de 52 anos, ficou totalmente submersa. "Avisaram que ia subir um pouquinho só, no máximo 1 metro. Levantamos os móveis, mas a água invadiu tudo", disse o morador da Vila Ramos, onde cerca de 20 casas, 1 fábrica e 1 loja de veículos foram atingidas.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que transferiu 90 presas do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico 1, em Franco da Rocha, por causa de dependências alagadas. A água atingiu 2 metros de altura na ala feminina. Elas foram levadas para o Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade.

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