Sabe as vozes do Metrô de SP? são Ana e Doni

Nos recados e orientações de viagens, os dois locutores agora substituem os 925 timbres de metroviários

Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2010 | 21h43

 

SÃO PAULO - Na Estação Sumaré do Metrô, na zona oeste de São Paulo, diálogo inusitado entre homem e mulher parados aguardando o próximo trem. "E o papel de chato de galocha acabou ficando comigo", disse ele, com expressão de divertida resignação, escondendo as mãos nos bolsos do blazer bege. "Eu não posso reclamar", ela rebateu, balançando displicente para frente e para trás. "Fiquei como mãe querida, orientando o caminho dos filhos."

 

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som Ouça Ana Martins

som Ouça Doni Littieri

 

Ele, Doni Littieri, de 39 anos, locutor profissional - uma das vozes oficiais da programação da Globo, e titular de programa matinal na Rádio Antena 1. Ela, Ana Martins, de 28 anos, locutora do Programa do Gugu, da Record, e também âncora de programação matinal, na 89 FM. São ouvidos, diariamente, por milhares de pessoas por minuto, em rádios e TVs da capital.

 

Desde outubro de 2009, e cada vez mais nos últimos tempos, são ouvidos também por outro tipo de público - pessoas apressadas, cerca de 1,5 milhão todos os dias, em viagens por trens e estações do Metrô de São Paulo. Doni Littieri e Ana Martins são donos das vozes dos anúncios eletrônicos das novas composições do Metrô, que ressoam em 15 trens da Linha 2 - Verde, e em dois da Linha 3 - Vermelha, os mais modernos entre os 134 trens da cidade.

 

Coube a Littieri - "voz austera, que impõe respeito com cordialidade", na definição técnica do Metrô - a incumbência de fazer as advertências aos passageiros. Se você já foi orientado a "não segurar as portas" e ouviu que "o trem aguarda a movimentação da composição à frente", saiba que a voz é a mesma da TV, do "Globo e você, tudo a ver". Já a Ana coube a função de orientar: "Próxima estação, Clínicas", "Paraíso", "Arthur Alvim", "Capão Redondo", todos os pontos da rede são indicados pelo timbre límpido da locutora.

 

Com a modernização da frota - o governo promete que até 2014 serão ouvidos apenas anúncios eletrônicos no Metrô -, Ana e Littieri se tornam candidatos a vozes mais ouvidas da cidade, mesmo que incógnitos. Eles simbolizam também a mudança de dinâmica nos sons do subterrâneo. Saem 925 timbres diferentes, dos metroviários nas composições antigas do Metrô; entram apenas duas vozes.

 

Orgulho. "Vi como qualquer outro trabalho. Mas quando fui gravando, me senti importante. Pensei em todas as pessoas que iriam ouvir e tentei me sentir como um operador do metrô", contou Ana, paulistana do Pari, na zona norte, e locutora de rádio desde os 16 anos. "Meu pai, que tirava os fins de semana para me ensinar a usar o metrô sozinha, foi quem mais gostou. Fica todo orgulhoso."

 

As 61 transições entre as estações, conta ela, além dos 153 avisos de orientação - "não é permitido sentar no chão" e "desculpe, estamos com falta de troco" - foram gravados no estúdio caseiro da locutora, nos fundos de seu apartamento, na Vila Madalena, zona oeste. "Cada frase gravei quatro vezes, com entonações diferentes. A orientação era passar naturalidade, sem aquele tom robótico das palavras gravadas."

 

Para Littieri, o serviço foi menos trabalhoso: gravou tudo em um único dia, num estúdio na Aclimação, zona sul da cidade. "Mas o trabalho foi bastante recompensador. São palavras para a cidade inteira, para o cidadão cansado que volta do trabalho, a turma que vai para a balada... Acho que nunca me senti tão próximo da vida da cidade."

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