Paulo Lierbert/AE
Paulo Lierbert/AE

Ruivos fazem 1º Encontro Nacional em São Paulo

No vão livre do Masp, 40 pessoas com cabelos vermelhos trocaram experiências e dicas

O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2012 | 03h02

"Ei ferrugem!" ou "Vem aqui, alemão" foram frases muito ouvidas na tarde de ontem no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, onde ocorreu o 1.° Encontro Nacional dos Ruivos Naturais. Um dos objetivos do encontro foi unir os ruivos do País para que eles se conhecessem e compartilhassem dicas e dificuldades - além dos apelidos, claro.

"Muitos sofreram bullying na infância. Ainda chamam a gente de arroz de Fanta, água de salsicha e Grampola (personagem da novela A Indomada, da Globo)", conta a relações públicas Ana Carolina Eloy, de 23 anos, que veio do Rio só para participar do evento. "Muita gente tem trauma e até raspa o cabelo. Quando vou à praia, acham que sou gringa."

O encontro foi combinado pelo Facebook, pela página Ruivos Mania. O dono do blog que deu origem à página mora em Belém e não pôde ir ao encontro. Felipe Ribeiro não é ruivo, mas se apaixonou por uma e começou o movimento. O encontro reuniu 40 pessoas, considerado recorde para os participantes acostumados a encontrar com outros quatro ou cinco ruivos em eventos regionais.

"Quando encontrei o grupo nas redes sociais, me senti o mamute do filme Era do Gelo, na cena em que encontra sua manada", conta a paulista Giovanna Fávaro, de 27 anos, que já foi chamada muitas vezes de "moranguinho" quando criança. Ela até fez a mãe produzir uma bandeira vermelha com a palavra "ruivo".

Além dos apelidos, os ruivos trocaram dicas de como proteger a pele clara do sol e receitas para deixar o cabelo mais vermelho. "Para o cabelo, tem de usar queratina com urucum", garante a psicóloga Bruna Amadeu, de 27 anos.

Orgulhosa do cabelão cor de fogo, a pequena Micaela, de 8 anos, carregava a bandeira para todo lado. "Gosto de ser ruiva, porque é diferente", garantiu ela. "Nunca fizeram bullying comigo na escola." A mãe, Regina, de 36 anos, viúva também de um ruivo, disse que as coisas mudaram bastante. "Agora é tranquilo, mas minha infância foi difícil."

Foi uma garotinha como Micaela que despertou na fotógrafa carioca Virgínia Nuñez (que estava no encontro, mas não é ruiva) a vontade de criar o V Project - no qual ela fotografa só pessoas ruivas. Agora, ela espera juntar bastante material para fazer uma exposição. "Ao mesmo tempo que eles sofrem discriminação, tem muita gente apaixonada pela cor do cabelo deles."

Já que estão em São Paulo para o encontro dos ruivos, alguns participantes de outras cidades planejam passear pela cidade durante o feriado e visitar pontos turísticos, como o Mercado Municipal e o Parque do Ibirapuera. "Mas, por mim, a gente ia bem cedo, às 8 horas", diz a relações públicas Ana Carolina. "Mais tarde o sol é forte e a gente é branquinho, né?" / C.B.

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