Rugai nega crime, mas se cala diante da acusação Ao juiz, jovem disse que não desfalcou a empresa do pai nem estava no local no dia do crime; mais cedo, ex-sócio falou de 'desconfiança'

Gil Rugai se calou ontem diante das perguntas da acusação. Suspeito de matar o pai e a madrasta há quase nove anos, o réu seguiu as orientações de seus advogados e recusou-se a responder aos questionamentos do promotor Rogério Zagallo no 4.º dia de julgamento. O silêncio começou por volta das 19h. Antes, ao juiz Adilson Simoni, o acusado se declarou inocente e disse desconhecedor os motivos da denúncia.

ADRIANA FERRAZ , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h07

A acusação queria ainda ler em plenário as perguntas que seriam feitas ao acusado. A defesa protestou e o juiz não permitiu que as perguntas fossem lidas. O julgamento transcorreu com as indagações da defesa.

Nesse ponto, o jovem, que permaneceu apático nos primeiros três dias de julgamento, deu respostas firmes e objetivas. Sem gaguejar nem mudar o tom de voz, assumiu uma postura no limite entre a tranquilidade e a frieza.

Aparentando em alguns momentos seguir à risca a orientação dos advogados, referiu-se às vítimas como "papai" e "Lelê" e negou qualquer problema no relacionamento com o casal. Ao juiz, Gil disse ainda que não desfalcou a empresa do pai, que não brigou com ele na semana anterior ao crime nem esteve na casa no dia das mortes. "Sou inocente, não sei por que estou aqui."

Sobre os motivos que teriam levado à morte do casal, o réu afirmou não conhecer ninguém capaz de cometer o crime. "Quando estive preso ficava pensando em quem poderia ter feito isso, mas estava ficando paranoico e então parei de pensar."

Contra o estereótipo de estranho, comentou todas as atividades que praticou, como cursos superiores de Teologia, Letras, Direito e Matemática. Admitiu ter aprendido a atirar, mas alegou que seu pai o estimulava a fazer qualquer curso que o afastasse da Igreja. Em seu currículo constam ainda aulas de rafting, arco e flecha, jiu-jítsu, bartender free-style e clássico, grego, latim e culinária, entre outros.

Depoimentos. Na manhã de ontem foram ouvidas as três últimas testemunhas. O sócio de Gil Rugai na época do crime, Rudi Otto, afirmou que desconfiou do réu assim que teve notícias da morte do casal. O publicitário contou ter tido essa reação porque já havia visto o acusado com uma pistola no escritório que dividiam nos Jardins, fato que o deixou "desconfortável". A arma seria guardada por Gil em um valise - chamada por ele de "mala de fuga". Nela também havia duas facas, um canivete, uma estrela ninja e selos com ácido.

A desconfiança levou Otto a "vasculhar" a empresa dois dias após as mortes. "Procurei em tudo e a arma não estava mais lá", afirmou. Em um depoimento contundente para traçar o perfil do réu, o publicitário ainda disse que Gil estava estranho na semana do crime por ter sido afastado da empresa do pai. "Ele chegou a dizer que estava estranho mesmo, mas que isso iria passar."

A testemunha também relatou que Gil demonstrava interesse em fazer cursos de tiro e às vezes falava mal da madrasta e do pai, com quem não teria "afinidade". "Ele dizia que o pai queria dominar o mundo."

O motorista Francisco Alves e o vigia Fabrício dos Santos também testemunharam. Ambos disseram que ouviram os disparos, mas não viram ninguém deixar o local do crime.

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