JB Neto/AE
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Rua afunda três metros e casas são interditadas na Grande São Paulo

Para moradores, obras no terreno vizinho para a construção de um condomínio industrial teriam provocado o acidente; no ano passado, outro deslizamento aconteceu no local

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

10 Dezembro 2010 | 04h23

SÃO PAULO - Moradores da Rua José Bonifácio, no bairro Ouro Verde, em Jandira, na Grande São Paulo, viram um trecho de quinze metros da via ceder três metros em direção a um barranco na noite de quinta-feira, 9. Ninguém se feriu e seis casas foram interditadas. Em outubro do ano passado, um deslizamento na mesma área condenou três casas e interditou mais 13. Obras de terraplenagem no terreno ao lado para a construção de um condomínio industrial teriam provocado os acidentes.

 

Segundo a Defesa Civil, cerca de 25 pessoas desabrigadas foram encaminhadas a residências de parentes e vizinhos e peritos da Polícia Civil e do Instituto Geológico farão uma inspeção na área nesta sexta-feira, 10. "Percebi que as rachaduras na rua estavam aumentando e, de repente, ela afundou", disse o motorista Aparecido Sergio Tomaz, 46 anos, dos quais 20 morando no bairro.

 

Essa não foi a primeira vez que a via cedeu. Em 12 de outubro de 2009 um afundamento de maiores proporções destruiu três casas e condenou outras 13, que permanecem isoladas até hoje - uma ação coletiva em trâmite na Justiça impede que os imóveis sejam demolidos. Segundo Aparecido, os moradores desalojados em 2009 vêm recebendo uma bolsa aluguel da Prefeitura.

 

"Desde o primeiro deslizamento monitoramos a área periodicamente. Na época de chuvas, passamos aqui todo dia para checar a existência de fissuras", disse o subcoordenador da Defesa Civil de Jandira, Reginaldo Borges de Sales, 38 anos. Eles diz que só após um estudo geológico será possível definir as intervenções necessárias para evitar novos acidentes.

 

Segundo os moradores, a possível causa dos afundamentos são bolsões de lama - causados por infiltração de água - que se formam na parte inferior do barranco, cortado há um ano e meio por uma empresa de terraplenagem que constrói um condomínio industrial no terreno ao lado. A empresa construiu um muro injetado sobre o talude, mas a obra de prevenção não evitou os deslizamentos.

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