Roupa tamanho GG descolada ainda é ficção

Modelo ou não, quem está acima do peso, no Brasil, costuma reclamar da falta de requinte nas lojas de roupas. Flúvia Lacerda, nos Estados Unidos há 13 anos, diz que o cliente plus size daqui é obrigado a pensar primeiro no tamanho, depois no modelo. "As marcas são tão poucas que seus donos estão nadando em dinheiro, e a roupa não é nada de mais."

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

Ela tenta emplacar seu nome em uma coleção "bem-acabada". "Já recebi propostas, mas nada que fosse razoável. Não quero só colocar meu nome, quero desenhar as roupas. Acho incrível que não se tenha investido nisso por aqui. Ninguém quer ficar rico?"

Panos. A estilista Mônica Angel, dona da grife Palank, especializada em manequins acima de 44, diz que já foi pior. "Quando abri a primeira loja, em 1988, as pessoas gordas não se vestiam, elas se cobriam com panos." Hoje, 11 lojas depois, ela se considera uma vencedora. "Posso dizer, pelo menos, que um estilista de tamanhos grandes existe, assim como o chef de cozinha e o enólogo."

A empresária Eliane Chacan, da grife Kauê, diz que no começo sua loja era apenas "especializada em tamanhos grandes". "Passamos a fazer uma moda jovem, mas só do dia a dia." As roupas custam entre R$ 39 e R$ 170. Eliane reconhece que a executiva que quer algo mais formal vai ter de "investir em viagens".

Um dos motivos pelos quais esse mercado não produz roupas sofisticadas é que a demanda pelos modelos simples parece suficiente. Eliane diz que, desde 1992, abriu 12 lojas e a demanda continua grande. "Mesmo com o advento da cirurgia de redução de estômago, e apesar de o número de lojas ter aumentado, a quantidade de clientes não para de crescer."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.