Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Roubos sobem e homicídios mantêm queda no Estado de São Paulo

Casos contra pedestres, estabelecimentos comerciais e residências, além dos registros contra cargas, aumentaram no Estado e na capital; Secretaria culpa crise e diz reforçar o policiamento. Estupros tiveram elevação de 38% no mês de maio

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2017 | 20h41

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo registrou 56 roubos a mais por dia em maio deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, uma elevação de 6,3%, chegando a 28.372 assaltos, que incluem casos contra pedestres, estabelecimentos comerciais e residências. Foi a 13.ª alta nesse tipo de crime na comparação mensal desde janeiro do ano passado, o que encontrou ressonância nos registros de roubo de carga, que, com um aumento de 37%, chegou à 14ª alta consecutiva. A Secretaria da Segurança atribui parte do crescimento à crise econômica, diz reforçar o policiamento em áreas específicas, ao mesmo tempo em que cita queda em outros indicadores criminais, como homicídios. 

O Estado mostrou no domingo passado que, com um caso por hora, os crimes de roubo contra residência bateram recorde em 2016 - nesta segunda-feira, 26, não foram fornecidos dados específicos dos ataques a casas e apartamentos. Os dados de roubos totais na capital paulista não se comportaram de forma diferente do que foi notado nas demais cidades: alta de 9%, com 14.007 casos, nos roubos e 31,82% nos roubos de carga, com 119 casos a mais, chegando a 493 registros. 

Citando as duas reduções mensais obtidas nos cinco meses computados deste ano, o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, disse que o roubo “tem oscilado”. “Não está no movimento crescente o tempo inteiro. Na verdade, desde o início da crise econômica esse crime vem dando sinais de aumento. Temos sim conseguido reduções importantes em virtude do incremento do policiamento, aumentamos bastante o número de operações da Polícia Militar visando ao combate específico”, disse. 

Sobre o aumento nos registros contra cargas, ele citou a concentração das entregas noturnas na capital como um dos fatores, mas ponderou que a maioria dos casos não se refere a valores elevados subtraídos. “A mercadoria com o valor até R$ 5 mil é a carga que é mais roubada, são pequenas. É um roubo de ocasião”, disse. “Não é mais aquelas cargas no valor superior a R$ 1 milhão, como antigamente, em que eram levados computadores, celulares, tablets. Isso representa hoje 0,8% do total”, acrescentou. Os registros até R$ 5 mil representam 18% dos registros; metade desses assaltos levam produtos que somam até R$ 30 mil. 

Ainda assim, o secretário disse manter uma “atuação próxima” com o setor de transportes, por meio de um grupo de trabalho permanente, com objetivo de monitorar esse tipo de atividade criminosa. “Temos aqui uma situação muito diferente do que temos em outros Estados. Mesmo com o aumento, é completamente diferente daquele sequestro das empresas transportadoras que em alguns Estados está impedindo a atividade (comercial).” 

Estupro. Os registros de estupro chegaram em maio à 14.ª alta em 17 meses, desde janeiro do ano passado, na comparação mensal. No mês passado, aconteceram 260 casos a mais do que no mesmo período do ano passado, chegando a 943 crimes, 38% de aumento. Na capital, o aumento foi de 22%. 

Para a Secretaria, o aumento na notificação ajuda a entender essa elevação. “Esse é um número que está crescendo já há bastante tempo. O que está crescendo também? A notificação desse tipo de crime. São crimes que ocorrem com uma certa frequência e que não eram notificados. A importância que damos a essa notificação para que está surtindo efeito” ,disse Mágino. 

Ele destacou a importância da notificação para mapear a recorrência desse crime, principalmente aquele cujo autor não tem laço de parentesco ou proximidade com a vítima. “Cerca de 80% dos crimes de estupro são cometidos entre pessoas que se conheciam, o que torna difícil o combate. Por outro lado, o crime que temos mais condição efetiva de combater é o que acontece entre pessoas sem relação e para isso precisamos saber onde acontecem”, disse. 

Queda. Com 258 assassinatos em maio, o Estado conseguiu reduzir novamente, dessa vez em 5,15%, os registros de homicídio, chegando a uma taxa de 7,89 casos por 100 mil habitantes, o menor da série histórica iniciada em 2001. Na capital, a queda percentual foi ainda mais acentuada, com 29,6%, baixando de 64 para 45. 

A Secretaria também destacou a redução nos crimes de roubo e furto de veículo, com queda no Estado de 6,85% e 1,18%, respectivamente. Em maio, 5.870 veículos foram roubados nas cidades paulistas e 9.406, furtados. 

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