Roubos e latrocínios aumentam desde janeiro

Homicídios caem 18,9% na comparação de 8 meses, mas voltam a avançar em agosto

GIO MENDES , FABIANO NUNES, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h01

Os roubos e os latrocínios cresceram no Estado nos oito primeiros meses de 2011, ao mesmo tempo em que os homicídios diminuíram, em comparação com o mesmo período de 2010. Essa é a constatação ao se analisar os números da criminalidade até agosto, divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. No último mês, no entanto, houve registro recorde no ano de mortes e roubos, além de queda nos latrocínios.

Agosto foi o mês com o maior número de roubos registrados pela polícia neste ano na cidade de São Paulo. Foram 10.289 casos (8,6% a mais que no mesmo mês de 2010). A média mensal dessa ocorrência, que inclui assaltos a casas, comércio e pedestres, é de 9.193 casos. Os dados não incluem roubos de carro, também recordes em agosto. No mês passado, a capital teve 3.703 veículos levados por assaltantes.

O número de homicídios também cresceu na capital, com 104 casos - 4 a mais que em julho. No entanto, nos oito primeiros meses do ano a queda é de 18,9% em relação a 2010.

Já em relação aos roubos, o avanço nos oito primeiros meses foi de 0,9% no Estado. Na capital, houve até queda, de 1%, mas manteve-se uma sensação de insegurança. "Viramos reféns de assaltantes", afirmou o administrador de empresas Wagner Porto, de 52 anos, morador do Morumbi, um dos sete bairros da zona sul que integram o ranking das dez regiões com mais roubos em agosto. O 34.º DP registrou crescimento de 29% em roubos: de 160 em julho para 207 no mês seguinte.

Justificativa. Para o coronel Marcos Roberto Chaves da Silva, responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), a explicação para o aumento de casos de roubos em geral é que mais pessoas passaram a registrar ocorrências desde que a Polícia Civil adotou as centrais de flagrantes, em nove delegacias, há dois meses. "Outro fator é que a PM passou a fazer BOs de alguns casos (como furtos e perda de documentos)."

Segundo Chaves, a PM vai intensificar os patrulhamentos nas regiões com mais crimes. O bairro que teve mais roubos em agosto foi o Jardim Miriam, na zona sul, com 242 ocorrências - 14% a mais que julho. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da região, Durval Marques dos Santos, observa, porém, que moradores que teriam perdido documentos estariam registrando o caso como roubo para não ter de pagar a taxa da segunda via.

Tendência. Para os especialistas da Secretaria de Segurança, os números dos oito primeiros meses mostram a tendência da criminalidade no Estado. Isso porque abrangem um período extenso, enquanto a análise só dos dados mensais indica oscilações que não necessariamente se manterão nos meses seguintes.

Se os números de crimes contra o patrimônio ainda causam preocupação à cúpula da Segurança Pública, o de homicídios é comemorado. É que, apesar da oscilação positiva em agosto (de 84 casos em 2010 para 104 em, 2011), o total de casos por cem mil habitantes acumulado no ano (9,86) continua abaixo da meta histórica dos 10 casos por 100 mil habitantes, acima da qual o homicídio pode ser equiparado até a uma epidemia. / COLABOROU MARCELO GODOY

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