Roubo no Ibirapuera: ladrões levaram 150 relógios

Deic recebeu imagens dos três bandidos feitas pelo circuito interno de TV; receptadores também são procurados

Bruno Tavares, Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2010 | 00h00

A quadrilha que invadiu no sábado a relojoaria S.Rolim, no Shopping Ibirapuera, zona sul de São Paulo, levou 150 relógios de diversas marcas, entre eles, alguns Rolex. Ontem, o Departamento de Investigações contra o Crime Organizado (Deic) recebeu da administração do shopping fotos e vídeos captados pelo circuito interno de TV.

"As imagens (do roubo) se assemelham aos fatos anteriores (outros crimes contra joalherias e relojoarias de shoppings). Com base nas investigações do modo de ação de quadrilhas, podemos chegar a um receptador comum", afirma o delegado titular da 2.ª Delegacia de Roubo de Joias do Deic, José Antônio do Nascimento.

Segundo ele, em uma ação rápida, os criminosos entram nas lojas como se fossem clientes, um de cada vez, anunciam o assalto, pegam as peças e vão embora. A diferença entre o crime da S.Rolim e o da relojoaria Corsage do Shopping Cidade Jardim, em 7 de junho, é que, desta vez, os bandidos foram mais discretos.

Pelas imagens registradas por quatro câmeras do Shopping Ibirapuera, o roubo foi praticado por três assaltantes que carregavam sacolas e não usavam capuz.

O trio - um deles de jaqueta, outro de terno e o terceiro de suéter - entra na loja, um de cada vez, às 19h38. Em seguida, dois criminosos se dirigem a uma funcionária, levantam as blusas para mostrar as armas e anunciam o assalto. O terceiro, de blazer, vai ao segundo andar da loja com a funcionária, entra com ela em uma sala e rende outro funcionário. Depois, com a arma em punho, o bandido desce com as vítimas e se junta aos comparsas.

Enquanto isso, no piso inferior, o assaltante que usava suéter recolhia peças e as colocava na sacola. Às 19h40, um funcionária fecha as portas da relojoaria. O criminoso que vestia o terno entra na sala onde está o cofre da relojoaria e rouba mais peças.

Às 19h43, o trio ainda pegava os relógios. Os funcionários, em pé, viam tudo. Segundo o Shopping Ibirapuera, os segurança perceberam o crime, "acompanharam" os ladrões até a saída e chamaram a polícia. Na fuga, pelo menos 15 relógios caíram e foram recuperados.

Investigação. O Deic trabalha em duas frentes. Uma possibilidade é que joias e relógios estejam sendo usados em negociações com traficantes de armas e drogas. Além de tentar capturar os assaltantes, os investigadores estão atrás dos receptadores dos produtos. A suspeita é de que a recente onda de assaltos a joalherias e relojoarias da cidade seja motivada por uma associação de grandes receptadores de joias e relógios de grifes famosas.

Segundo os policiais, esse tipo de mercadoria é como dinheiro vivo na mão dos bandidos. As joias feitas em ouro costumam ser derretidas e o metal, vendidas no mercado clandestino do centro de São Paulo. Os relógios acabam seguindo para fora do País, onde são comercializados com colecionadores que não se importam com a procedência do produto.

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