Rotina de jurados inclui noite em alojamentos

Rotina de jurados inclui noite em alojamentos

São, até agora, 72 horas vivendo única, completa e exclusivamente para o julgamento, sem regalias ou direitos especiais. Para os quatro homens e três mulheres que fazem parte do conselho de sentença do caso Isabella, a rotina tem sido voltada somente para o júri do caso Isabella, do café da manhã ao momento de dormir em um alojamento.

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2010 | 00h00

Segundo a reportagem apurou, são dois universitários, um eletricista, uma auxiliar de cobrança, uma técnica em vendas, uma publicitária e uma arquiteta que só terão suas vidas de volta quando a sentença for definida.

Desde segunda-feira, quando ficaram inteiramente à disposição da Justiça, os jurados têm dormido em dois alojamentos separados no Fórum da Barra Funda ? um para os homens e outro para as mulheres. Eles acordam por volta das 7h30, tomam café da manhã com leite, pão, manteiga e frios e se dirigem juntos para o Fórum de Santana. Durante todo o tempo, são acompanhados de agentes de fiscalização do Tribunal de Justiça, uma vez que estão proibidos de conversar sobre o caso entre si ou com outras pessoas. Caso isso ocorra, o júri será anulado.

Três funcionários do Fórum cuidam de eventuais lanches e do almoço dos jurados ? normalmente, um marmitex com arroz, feijão, salada e carne. Nos depoimentos, os jurados têm à disposição apenas uma garrafa d"água. O juiz do caso, Mauricio Fossen, pergunta constantemente se eles precisam ir ao banheiro ou se estão cansados.

"O mais importante é que os jurados não podem trocar informações sobre o caso ou tentar influir na opinião um do outro", diz o advogado criminalista Carlos Kauffmann, professor de Direito Processual Penal da PUC. "Mas isso não quer dizer que eles não podem conversar sobre futebol, novela. Os jurados sabem disso, eles entendem que têm um trabalho a fazer e que se fizerem algo errado podem colocar tudo a perder", afirma.

A lei garante aos jurados que não seja descontado no trabalho nenhum dia que se passou no tribunal. Depois do júri, eles passam a ter direito a prisão especial, em caso de crime comum, até o julgamento, bem como preferência nas concorrências públicas. /

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.