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Rota turística pelo Rio Tietê deve ir até Salto

Governador vai anunciar, em julho, plano para ampliar hidrovia com o Paraná em 200 quilômetros; Emae ainda investirá em pequenas usinas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

SOROCABA

O sonho de viajar de barco pelo Rio Tietê, desde São Paulo até a foz no Rio Paraná, como faziam os antigos bandeirantes, está próximo de se tornar realidade. O governador Geraldo Alckmin deve anunciar no próximo mês o início do plano de trabalho para ampliar a Hidrovia Tietê-Paraná em 200 quilômetros. Com isso, a parte navegável do rio, que hoje chega a Anhembi, região de Botucatu, se estenderá até Salto, a 98 km da capital.

Além do transporte de cargas em barcaças, a hidrovia permitirá tirar do papel o plano de transformar o rio em uma grande rota turística. Desde o fim dos anos 1990, o prefeito de Salto, Geraldo Garcia (PDT), trabalha em um roteiro para resgatar a saga dos bandeirantes que desciam o Tietê para explorar as riquezas do interior. Os bandeirantes saíam de São Paulo, Santana de Parnaíba e Sorocaba, lançando-se ao rio em Porto Feliz. Os locais de parada das monções terão atracadouros para os barcos turísticos. A ideia é aproveitar a importância histórica e a beleza dessas paragens.

Garcia também subiu em barcos a motor, abaixo da cachoeira de Salto, e seguiu pelo rio 48 quilômetros até Porto Feliz. Tudo para provar que era possível navegar pelo Tietê mais perto de São Paulo, apesar da poluição. Ele fez seis viagens, a última no início deste ano.

"Ainda tem poluição, sobretudo agora que o rio está muito baixo pela falta de chuvas, mas a região é de grande beleza. Tem muitas aves e até peixes nesse trecho", dizia na sexta-feira. Com o apoio da Faculdade de Tecnologia de Jaú, o prefeito explorou metro por metro essa parte do rio. Ele descobriu pelo menos 40 fazendas na região com potencial para o turismo. "Algumas têm casas-grandes antigas e espetaculares que podem facilmente ser transformadas em hotéis ou pousadas."

Com a hidrovia, ele vê possibilidade de ampliar o projeto até Anhembi, passando por cidades com bom potencial turístico, como Tietê, Jumirim, Laranjal Paulista e Conchas. "É uma região rica em tradições culturais, como a Festa do Divino e o cururu, sem contar a gastronomia e a boa cachaça produzida em alambiques", conta. A partir de Anhembi, barcos turísticos já percorrem o Tietê, passando pela eclusa de Barra Bonita. Dali para a frente, até o Rio Paraná, as embarcações de passageiros dividem o leito do rio com os comboios de barcaças transportando cargas.

Projeto. A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), vinculada à Secretaria de Saneamento e Energia, abriu licitação para o projeto de extensão da hidrovia, em parceria com o Departamento Hidroviário do Estado.

Até o fim deste mês, deverá ser definida a empresa para fazer o projeto básico, que servirá para a contratação da obra. O prazo para a conclusão dessa fase será de seis meses. Está prevista ainda a construção de três a cinco Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) no trecho entre Salto e Anhembi. As barragens servirão para regular a vazão do rio, permitindo a navegação em qualquer época do ano, e terão eclusas. Haverá também geração de energia e redução nas enchentes do rio, que periodicamente atingem as cidades de Porto Feliz e Tietê. Com a ampliação, o trecho navegável do Rio Tietê aumentará para 850 quilômetros.

O diretor-presidente da Emae, Antonio Bolognesi, vê com interesse o uso integrado das águas do rio. "Estávamos acostumados a trabalhar esses projetos com a visão energética. Hoje, a ideia é induzir o desenvolvimento em todos os aspectos, incluindo o turístico."

PARA LEMBRAR

Caminho para o Mercosul

Desde o fim dos anos 1990, a hidrovia Tietê-Paraná (2,4 mil quilômetros de extensão) serve como rota de escoamento de mercadorias entre países do Mercosul. A construção da eclusa de Jupiá, na foz do Tietê, em 1998, possibilitou a navegação de cargueiros entre Conchas (SP) e Foz do Iguaçu (PR). No ano passado, foram transportados 5,6 milhões de toneladas de produtos agroindustriais. Os governos federal e de São Paulo anunciaram em abril investimentos de R$ 1 bilhão até 2014, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2.

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