Rota troca o comando em São Paulo

Coronel Nivaldo Cesar Restivo deixou o cargo; substituto ainda não foi anunciado

William Cardoso - O Estado de S.Paulo,

18 de fevereiro de 2013 | 21h07

As Rotas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) terão um novo comandante. Promovido a coronel, Nivaldo Cesar Restivo deixou o posto nesta segunda-feira e assumirá o policiamento da zona sul da capital. O comandante-geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, disse que já tem um nome para assumir o posto e que o perfil será semelhante ao de Restivo. Antes de anunciá-lo, porém, pretende apresentá-lo ao secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

O posto de comandante da Rota é estratégico, por se tratar da tropa de elite que combate diretamente o crime organizado e ser a reserva especial da PM. Também é aquela que mais se envolve em operações polêmicas.

No ano passado, ainda sob o comando do tenente-coronel Salvador Madia, réu no processo do massacre do Carandiru, a Rota participou de ações que terminaram com seis mortos na Penha, na zona leste da capital, em maio, e nove em Várzea Paulista, na região de Jundiaí, em setembro. Nos dois casos, a justificativa é que foi até os locais após receber denúncias anônimas e que os suspeitos, apontados pela PM como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), resistiram à prisão.

Restivo assumiu o comando da Rota 15 dias após a operação em Várzea Paulista. Segundo Meira, ele "trabalhou de forma leal" e o perfil "agradou à instituição", por isso o novo líder da tropa terá características semelhantes.

Para o comandante-geral da PM, a Rota precisa "aprimorar os procedimentos". "Podemos ter o resultado positivo, que é a prisão dos criminosos com vida", disse. "Se há um grupo de criminosos escondidos em uma residência e cercamos para que não haja fuga, negociando exaustivamente, conseguiremos a rendição. Diferente de tomar a atitude de entrar no imóvel, em que o confronto vai existir e o resultado morte é esperado", explicou.

Meira disse também que a Rota vai continuar combatendo o crime organizado, mas que a população precisa vê-la também no dia a dia. "Queremos a Rota na rua, não é diferente do que a gente ouve nas campanhas (políticas). Mas queremos atuando pontualmente em regiões onde temos indicadores criminais com tendência de alta, principalmente de roubo e furto de veículos", disse.

Mudança

Ao assumir o Comando de Policiamento de Área Metropolitana-10 (CPAM/10), Restivo terá como desafio conter a violência na zona sul da capital, inclusive com denúncias e a comprovação de envolvimento de policiais em chacina, como a Jardim do Rosana, no Campo Limpo, que terminou com sete mortos e, até agora, seis policiais militares presos.

Restivo afirmou que, na Rota, comandava 860 policiais e, agora, terá 4.000. Segundo ele, são desafios diferentes. "A zona sul tem uma área que corresponde a 41% da capital, são 511 bairros."

O coronel falou que irá traçar estratégias para combater a criminalidade. "Quando falo em mudar cenários desfavoráveis, digo em todos os sentidos. Da população que precisa da polícia, do policial que precisa atender à população da maneira adequada."

Enquanto o substituto de Restivo não for anunciado, a Rota será liderada pelo major Walter Mendes Magalhães Júnior.

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