Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

Rota para ciclistas forja novo comércio em SP

Aos domingos e feriados, vários serviços voltados ao usuário de bicicletas surgem ao longo dos 45 km de percurso, de café da manhã a 'test-drive'

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2011 | 03h02

A Ciclofaixa de Lazer, que funciona desde 2009 nas ruas de São Paulo, tornou-se um sucesso de público. Todo domingo, cerca de 40 mil ciclistas passeiam ao menos por uma parte do percurso de 45 km que liga os parques das Bicicletas, do Povo, do Ibirapuera, Villa-Lobos e o futuro Parque Clube do Chuvisco. Na garupa dessa multidão sobre duas rodas, negócios proliferam.

Um exemplo é a Ciclovila, inaugurada há pouco mais de um mês na Vila Olímpia e que congrega quatro serviços relacionados ao ciclismo: uma bicicletaria descolada, uma agência de bike-courier (espécie de motoboy com bicicleta em vez de moto), uma loja de roupas com temas ciclísticos e um café. "Só abrimos domingo por causa da ciclofaixa", admite um dos sócios, Leandro Valverdes. "É inegável que o programa trouxe um apelo comercial diferente para a região. Mas nosso desafio é promover o uso da bicicleta também durante a semana, para a mobilidade do dia a dia"

Com a união entre bicicletaria e café, Valverdes consegue um ambiente similar ao das megalivrarias: o cliente tem um espaço para beber e comer, usar internet wi-fi ou mesmo papear enquanto aguarda serviço de manutenção da bike, por exemplo. De olho no público novo, a loja ainda vai pôr bicicletas disponíveis para um test-drive. "O cara pode vir, pegar uma bike e experimentar na ciclofaixa".

Para agradar aos ciclistas, a unidade de Moema do restaurante América instalou em fevereiro um bicicletário com oito vagas. "A loja abre às 6h30 para café da manhã. Por causa da ciclofaixa, é comum que os ciclistas parem para tomar café lá, de modo que o bicicletário fica cheio aos domingos", informou a empresa em nota.

Outro point dos usuários da ciclofaixa é a lanchonete Pé No Parque, com pegada natureba, que funciona a 400 metros do Parque do Ibirapuera. Como aos domingos a casa abre às 8h, tornou-se parada daqueles que querem abastecer o estômago. "É comum que eles peçam um suco de açaí para viagem, por exemplo", comenta a gerente Vanda Cruz Prétola. "Como domingo já era um dia movimentado por aqui antes da ciclofaixa, é difícil medirmos o impacto que o programa teve em nossa clientela."

Depois de 20 anos na cidade de Mogi das Cruzes, o empresário Neyfe Machado resolveu transferir sua bicicletaria Bike Tech Mogi para São Paulo no ano passado. Escolheu a Rua Cavazzola, pertinho da Avenida Hélio Pellegrino, por causa da ciclofaixa. "Sem dúvida, a visibilidade que ela traz para a loja é muito interessante", admite. Não à toa, sua bicicletaria também fica aberta aos domingos.

Lá, são cada vez mais comuns os pedidos de bicicletas com cadeirinhas para bebês. "É um dos produtos que têm uma procura bem aquecida", diz o empresário Neyfe Machado - uma cadeirinha custa de R$ 90 a R$ 330, conforme o modelo.

Passeio família. Como a ciclofaixa dominical não é uma atividade permanente, alguns cicloativistas a veem com ressalvas. Mas, no geral, a iniciativa é vista com bons olhos. "Não deixa de ser um resgate do espaço público", diz o cicloativista Willian Cruz, autor do blog Vá de Bike.

Engana-se quem pensa que só ciclistas "profissionais" usam a ciclofaixa. O percurso tornou-se opção de lazer para famílias aos domingos. É o caso do publicitário Jorge Oliveira, 27 anos. "Acho ótima a ciclofaixa para fazer meu exercício semanal. Com a vantagem que consigo ir de bike da minha casa, em Pinheiros, até a casa de minha mãe, na região do Ibirapuera, para aproveitar o almoço de domingo".

O professor Verdy Tibúrcio, de 47 anos, que mora em Moema e trabalha nos Jardins, costuma pedalar por ali na companhia do filho, Marcos. "Uso também a bicicleta durante a semana. Tenho chegado mais rápido aos compromissos do que quando ia de carro e penava no trânsito."

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