Edison Temoteo/AE
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Rota mata aliado de Marcola no PCC

Líder da facção na zona oeste foi morto em Pirituba durante confronto com PMs; ação ocorre 4 dias após morte de soldado do batalhão

MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2012 | 03h02

A guerra entre as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) teve anteontem um novo capítulo. Alex Claudino dos Santos, de 29 anos, acusado de ser líder da facção criminosa na zona oeste de São Paulo e homem ligado a Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi morto por policiais do grupo de elite da Polícia Militar em Pirituba, na zona norte, depois de supostamente resistir à prisão.

A ação aconteceu quatro dias depois de um soldado da Rota ser morto com três tiros de fuzil. Segundo a PM, denúncia recebida pelo Setor de Inteligência da corporação informou que Santos trafegava pela região em um Vera Cruz ou em um Uno. Os policiais ficaram sabendo também que, normalmente, ele tinha escolta de criminosos. Chapa, como era conhecido, no entanto, foi visto às 21h35 no Uno. Ele tentou fugir, mas bateu em um CrossFox e em um Logus, perto da Rua Odilon Azevedo.

Santos desceu do carro e, segundo o comando da Rota, atirou cinco vezes com uma pistola 380. Ele foi baleado e levado ao Hospital Geral de Taipas, onde morreu. Segundo policiais, ele levou três tiros no peito. Nenhum PM ficou ferido na ação.

Integrantes da Rota contam que encontraram no carro de Santos uma metralhadora 9mm e um colete à prova de balas, usados geralmente por quem pratica roubo a bancos. Segundo o delegado Guilherme Amadeu Júnior, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Santos não era procurado pela Justiça. Ele foi preso por delitos como roubo e formação de quadrilha, cumpriu pena e foi solto por decisão da Justiça em 18 de março de 2011.

Histórico. Santos foi ainda réu ao lado de Marcola em dois processos, ambos de 2006. Um deles, por homicídio simples, correu na 2.ª Vara do Júri da Capital. O outro foi por tráfico de drogas, na 3.ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda. Neste, ele foi detido pelos policiais em companhia da advogada Maria Cristina Rachado, que defendia Marcola.

O criminoso morto ontem pela Rota era considerado também o responsável por gerenciar as atividades do PCC na zona oeste. Santos foi um dos 18 presos em 2009 na operação contra o tráfico de drogas na sede da escola de samba Barroca Zona Sul.

Contra-ataque. Na quinta-feira, dia 27, o soldado André Peres de Carvalho, de 40 anos, foi assassinado com três tiros de fuzil pelas costas, por dois homens em uma moto, no Butantã.

Carvalho foi o primeiro homem da Rota a ser assassinado desde maio, quando teve início a guerra com o PCC - seis bandidos foram mortos naquele mês em uma ação em um lava-rápido na zona leste. Desde 2006, havia uma trégua velada. Agora, mais de 70 PMs já foram mortos neste ano. Em 2011, foram 47.

No dia seguinte à morte de Carvalho, seguidores da comunidade da Rota no Facebook exigiam vingança. "Na Rota não tem tempo para luto. Antes do enterro do amigo vai começar o velório do inimigo", afirmava uma das mensagens.

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