Rota mata 6 na Penha, testemunha flagra execução e 3 PMs são presos

Pela primeira vez na história, três policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foram presos em flagrante sob a acusação de homicídio. Eles são acusados de executar um homem detido após tiroteio na região da Penha, zona leste de São Paulo. No confronto, segundo a Rota, mais cinco pessoas morreram, três foram presas e outras cinco conseguiram escapar. Todas seriam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e estavam com fuzis, submetralhadoras, pistolas e revólveres.

MARCELO GODOY, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2012 | 03h04

A ação dos policiais militares começou na noite de anteontem, depois que - supostamente por um telefonema anônimo direto para o quartel - eles descobriram que integrantes do PCC se encontrariam em um estacionamento na Rua Osvaldo Sobreira, do lado de um bar e perto da Favela Tiquatira, na zona leste. Quando chegaram ao lugar, 24 policiais da Rota, em seis viaturas, disseram que foram recebidos a bala pelos bandidos - cinco deles perceberam a aproximação da polícia e fugiram em um carro branco.

Nenhum policial foi atingido pelos tiros. Nem as viaturas. Moradores relatam que, durante a operação, foram obrigados pela polícia a permanecer dentro de casa. Marcas de bala e sangue podiam ser vistos ontem em muros a até 50 metros do local onde teve início a ação.

Ali, cinco homens teriam morrido no confronto. Duas mulheres e um homem foram presos. Um quarto acusado também foi detido e colocado dentro de uma viatura da Rota pelo sargento Nogueira, pelo cabo Cosme Levi e pelo soldado Aparecido. No meio do caminho, foi espancado e executado, segundo relatou à polícia - em tempo real - uma testemunha do caso. O nome do homem não foi divulgado.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso. Foi pedida a prisão preventiva dos acusados - eles estão à disposição da Justiça no Presídio Militar Romão Gomes. "É importante dizer que foi a própria PM que fez as prisões", disse o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto.

Para entidades de defesa dos direitos humanos, ações como a de ontem são recorrentes. "A novidade foi a prisão em flagrante", afirmou Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.

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