Rota invade tribunal do crime: 9 mortos

Ação aconteceu em Várzea Paulista; segundo PM, bandidos ligados ao Primeiro Comando da Capital se reuniram para condenar estuprador

MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h09

Policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) mataram no fim da tarde de ontem, em Várzea Paulista (SP), oito acusados de compor um tribunal do crime organizado que julgava um homem acusado de estupro, que também morreu. Outros oito suspeitos foram presos pelos policiais. Segundo a PM, todos os acusados morreram porque reagiram. Nenhum policial ficou ferido.

A mãe, o irmão, o padrasto e a vítima de estupro - uma menina de 12 anos - foram encontrados pelos policiais quando saíam da chácara onde o tribunal se havia reunido. Dentro dela também foi achado o corpo do acusado de estupro - a perícia técnica vai determinar de qual arma saíram os tiros que o mataram.

O serviço de informações da PM havia recebido a informação de que bandidos suspeitos de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da capital (PCC) iam se reunir em uma chácara para o planejamento de uma ação. Era um tribunal no qual um dos supostos integrantes da facção - irmão da menina - queria que fosse julgado o suposto estuprador. De acordo com a polícia, a Rota cercou a chácara e aguardou até o momento em que o grupo começou a deixar o lugar em três carros.

Primeiro, saiu um veículo com dois suspeitos e depois outro, com três, e, por fim, o terceiro, com a vítima de estupro e sua família. Os carros foram seguidos por cerca de um quilômetro até que houve a abordagem. Segundo o Comando de Policiamento de Choque (CPChoq), os suspeitos do primeiro carro reagiram e os dois foram mortos. A abordagem ao outro veículo também acabou em tiroteio, que deixou dois mortos e um preso. Por último, os PMs abordaram o carro com a família da menina.

Enquanto isso, os homens da Rota invadiam a chácara na Rua Cambará, onde teria ocorrido o terceiro confronto. Ali mais cinco acusados foram mortos e cinco detidos - o sexto morto era o homem julgado pelo grupo.

"Estamos ainda levantando as informações sobre o caso para identificar os acusados, mas um dos chefes do grupo era conhecido como Príncipe", disse o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. O comandante do CPChoq, coronel César Morelli, foi até a chácara acompanhar o caso - por ordem do secretário, ele seria apresentado à Delegacia Seccional de Jundiaí, para onde foi o delegado Licurgo Nunes da Costa, diretor da Polícia Civil da região de Campinas.

Com o grupo, a Rota informou que apreendeu duas espingardas de calibre 12, uma submetralhadora, sete pistolas, quatro revólveres, TNT, cordel detonante e cinco carros, um deles com explosivos que seriam desativados pelo esquadrão antibombas.

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