TV Estadão/Reprodução
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Rota é o batalhão que mais matou em 2015 no Estado de São Paulo

Em dois meses, 13 suspeitos morreram em confrontos com o grupamento; ao todo, foram 118 mortes por policiais: duas por dia

Felipe Resk e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 08h14

SÃO PAULO - As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da polícia paulista, é o batalhão que mais matou suspeitos de cometerem crime em São Paulo neste ano, de acordo com dados da Ouvidoria da Polícia.

De janeiro a fevereiro deste ano, 118 suspeitos foram mortos em confrontos com policiais militares ou civis em 27 cidades diferentes - o que representa quase duas mortes por dia no Estado. Dessas, 13 mortes tiveram a Rota como o grupamento envolvido.

Para o ouvidor Julio Cesar Neves, a letalidade da Rota é preocupante. "Ela é o departamento que exerce essa postura com notoriedade. Tem, vamos dizer assim, know-how", afirmou.

O aumento da letalidade policial nos últimos anos, segundo o ouvidor, também estaria relacionado à impunidade. "Quando o policial vê que ninguém é punido, fica mais fácil apertar o gatilho. A impunidade não é só para a bandidagem, é dos dois lados", disse. "A grande maioria dos casos o arquivamento é requerido pelo Ministério Público e a Justiça aceita. Não chegam sequer a serem denunciados."

Investigação. A Secretário Estadual da Segurança Pública de São Paulo anunciou que vai alterar o procedimento de investigação para casos que envolvam agentes de segurança pública.

Na prática, a medida tornará obrigatória a presença da Polícia Civil, da Polícia Militar e das corregedorias nas cenas de homicídios que envolvam agentes, sejam eles autores ou vítimas. Nesses casos, o Ministério Público também deve ser comunicado imediatamente, mas vai ficar a critério do órgão decidir se é necessário enviar um promotor de Justiça ao local.

A resolução deve valer para ocorrências que estejam relacionadas a policiais militares, policiais civis, policiais federais, agentes penitenciários, membros da Fundação Casa e guardas-civis.

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