Rosas de Ouro, Vai-Vai e Dragões levantam o público no primeiro dia de desfiles em SP

Veja como foi o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de SP

09 de fevereiro de 2013 | 10h29

Sete escolas abriram na noite de ontem e na madrugada de hoje o carnaval paulistano de 2013 no Sambódromo do Anhembi. Debaixo de chuva e com muita emoção, escolas como Rosas de Ouro, Vai-Vai e Dragões da Real levantaram o público e são apontadas, até aqui, como os destaques.

A primeira noite de desfile foi marcada por dois momentos de adversidades envolvendo as agremiações Mancha Verde e a Águia de Ouro. Na Mancha, um foco de incêndio atingiu o carro abre-alas, resolvido na sequência pelos bombeiros. Um membro de apoio da escola teve queimadura leve em uma das mãos. A Águia de Ouro, por sua vez, estorou em 1 minuto o tempo regulamentar do desfile e dever perder pontos por isso.

Acompanhe os principais momentos da noite.  

Águia de Ouro

Com chuva e o dia amanhecendo, a Águia de Ouro entrou no sambódromo de São Paulo neste sábado, 09, homenageando o sambista carioca João Nogueira e fechou o primeiro dia de desfiles das escolas do Grupo Especial de São Paulo. Houve corre-corre para encerrar o desfile dentro do tempo regulamentar, mas não impediu a agremiação de ultrapassar um pouco o limite, o que poderá custar alguns pontos a menos.

A viúva de João Nogueira, Angela, desfilou no carro abre-alas. Ele morreu em 2000. A Portela, escola tradicional carioca e que era frequentada pelo sambista, também estava presente no desfile. Ela foi tema de um dos carros alegóricos. O último carro da escola fez menção à célebre música Espelho e abrigou amigos e familiares, como o filho dele, Diogo Nogueira. Joel Santana, que já foi técnico várias vezes do Flamengo, time do coração de Nogueira, também estava no carro.

A arquibancada superior já estava totalmente esvaziada durante o desfile da agremiação, mas nas outras partes do sambódromo muitas pessoas acompanharam animadas a escola que tem origem no bairro da Pompeia, na zona oeste da capital paulista. A bateria, comandada pelo mestre Juca, entrou na avenida fantasiada de sambista: paletó, camisa listrada e chapéu.

Dragões da Real

Sabedoria, força, fogo, mistério… e chuva. No último dia do ano do dragão chinês, a Dragões da Real homenageou seu símbolo no carnaval paulistano. Com pouco mais de 10 minutos de desfile, a chuva caiu forte sobre a agremiação que surgiu de uma torcida organizada do São Paulo Futebol Clube. Por conta disso, boa parte do público procurou abrigo e as arquibancadas ficaram vazias durante o início da apresentação.

Chamou a atenção a boa apresentação da comissão de frente da Dragões, com uma trupe mambembe conduzida por um bobo da corte. O grupo realizava várias trocas de roupa ao longo do desfile. Uma ala de baianas veio na sequência, antecedendo o enorme carro abre-alas, com um enorme dragão cuspindo fumaça e vigiando um castelo.

A escola misturou histórias de vários cavaleiros, herois e vilões de culturas diferentes, como a grega, egípcia, asteca e indiana. As fantasias estavam caprichadas e com cores bem distribuídas pela avenida, como a da bateria, com chapéus de cabeça de dragão. Não faltaram menções aos romances de J.R.R. Tolkien e ao Conde Drácula. Nas referências mais infanto-juvenis, houve espaço para Harry Potter, Dragon Ball Z e Caverna do Dragão no desfile.

Em contraste com a escola anterior, a X-9, que mostrou carros alegóricos com problemas de acabamento, a Dragões caprichou nas alegorias. Além do abre-alas, o carro dos cavaleiros da távola redonda, o do trem fantasma no parque de diversões e o do templo chinês se destacaram. O último carro trouxe o dragão coroado como rei do carnaval.

X-9

Parte da arquibancada superior do sambódromo de São Paulo já estava vazia na madrugada deste sábado, 09, quando a X-9 Paulistana entrou na avenida. Um dos destaques da agremiação foi a rainha de bateria, Rosemeire Rocha, de 33 anos, que desfilou grávida de oito meses, no primeiro dia das escolas do Grupo Especial de São Paulo. “Eu acho que ela gosta de samba porque está sempre se mexendo”, disse a passista sobre a filha, que se chamará Raíssa. A escola terminou o desfile dentro do tempo regulamentar e sem incidentes que pudessem atrapalhar a apresentação.

Para simbolizar as nações da África, um carro alegórico mostrou um guerreiro africano acompanhado de animais de fauna. Outra alegoria privilegiou o respeito às diferenças, trazendo diversas drag queens. Com o verde prevalecendo, uma das alas retratou a harmonia dos índios com os quatro elementos: a terra, o fogo, a água e o ar.

A X-9 Paulistana, que ficou em 10º lugar no ano passado, foi a quinta escola a entrar no Anhembi nesta madrugada. Com o enredo Se pra ter diversidade basta viver com harmonia sorria… Pois São Paulo hoje é só alegria!, a escola representou a união das raças e povos e homenagear São Paulo como “berço da diversidade”.

A escola foi vice-campeã nos anos de 2004 e 2005, primeiro com o enredo Se Vens à Minha Casa com Deus no Coração, Senta-se à Mesa e Coma do Meu Pão e, no ano seguinte, com o tema Nascemos para Cantar e Também Sambar – uma homenagem à dupla Chitãozinho & Xororó.

Vai-Vai

Com medo de estourar o tempo regulamentar, o que não ocorreu, a Vai-Vai apressou um pouco a passagem das últimas alegorias e alas no desfile que falou do vinho, com o enredo Sangue da Terra, videira da vida: um brinde de amor em plena avenida – vinhos Brasil. A agremiação, com 3.800 componentes, é uma das maiores do carnaval paulistano.

A comissão de frente fez uma performance teatral da transformação de água em vinho, episódio bíblico em que Jesus Cristo fez o milagre em uma festa de casamento. As mulheres representaram a água, e os homens, o vinho. Em harmonia com a comissão, o carro abre-alas exibiu uma enorme ânfora decorada com 8 mil uvas de isopor.

A surpresa veio com o segundo carro alegórico, em que uma arca de Noé exalava cheiro de uva, perfumando o sambódromo. Rainhas e princesas da Festa da Uva de Caxias do Sul, evento tradicional do Rio Grande do Sul, estavam no carro que destacou Baco, o deus do vinho, pisando em frutas de verdade. Balões da cor vinho também foram soltos na avenida pelo carro.

A bateria de Mestre Tadeu representou no desfile os sommeliers, especialistas em vinhos. O maestro João Carlos Martins esteve à frente da bateria da escola. Ele foi o homenageado da Vai-Vai em 2011, ano em que a escola do Bixiga, bairro da boemia no centro de São Paulo, levou seu último título.

A modelo e apresentadora Ana Hickmann, madrinha da escola fundada em 1930, disse neste sábado que fez questão de desfilar no chão porque a emoção é maior. É o terceiro ano que defende a escola paulistana. A fantasia da modelo também simbolizou a transformação da água em vinho.

Mancha Verde

Com ampla fonte de inspiração na vida e arte de Mario Lago, a Mancha Verde passou pela passarela do samba em São Paulo em 62 minutos, dentro do tempo regulamentar, depois de um susto com cerca de 30 minutos de desfile na madrugada deste sábado. Houve um pequeno foco de incêndio no carro abre-alas que foi apagado rapidamente pelos bombeiros. Um membro de apoio da escola teve queimadura leve em uma das mãos.

A comissão de frente inovou, com uma figura central que, inicialmente, parecia uma estátua-viva de cobre de Mario Lago. Pouco depois, o representante do artista saía de sua posição quase inerte para dançar e fazer acrobacias.

A ala das baianas também emocionou, já que as mulheres representaram o grande amor de Mario Lago que foi casado por 50 anos, depois de conhecer a futura esposa em um comício do partido comunista. Aliás, política sempre esteve presente na vida do artista, cujo avô era italiano e anarquista. Seus dois avôs ganharam uma alegoria em sua homenagem.

Trechos das arquibancadas pareciam as de um estádio durante os jogos do Palmeiras, com faixas estendidas de cor verde e branca.

A bateria, comandada pelo Mestre Caju, representou os malandros da Lapa, ambiente frequentado por Lago e grande parte da boemia carioca na primeira metade do século 20. A rainha de bateria da escola Mancha Verde, Viviane Araújo, estava vestida da mítica Dama da Noite, uma fantasia com plumas e ornamentos dourados. Uma ala lembrou a primeira prisão do homenageado, que aconteceu em 1932.

O carro alegórico que fechou o desfile da Mancha Verde homenageou a presença de Mario Lago nas novelas brasileiras. A enorme barriga de uma grávida fez alusão a Barriga de Aluguel, de autoria de Glória Perez e exibida em 1990, quando o ator fez o papel de doutor Molina. Outro carro que exibia a figura de um lagarto era alusivo ao apelido do artista, “Lagartão”, principalmente entre os boêmios na noite carioca.

Rosas de Ouro

A Rosas de Ouro entrou para a lista de candidatas ao título deste ano em São Paulo, ao levantar o público e fazer a arquibancada do sambódromo no Anhembi cantar seu samba. Dentro do tempo regular para o desfile e segunda na primeira noite de apresentações em São Paulo, a atual vice-campeã e tradicional por trazer o luxo para a avenida surpreendeu pelas fantasias ricas em detalhes.

Com o enredo que contou sobre as festas da folia ao redor do mundo, a comissão de frente sinalizou a força da evolução da agremiação representante da zona norte de São Paulo. Bailarinos e dançarinos de diferentes estilos faziam a corte a um enorme Rei Momo, o carro de abre-alas.

Antes de pisar na passarela, a presidente da agremiação, Angelina Basílio, havia destacado o carro de número quatro, que encenou “com alegria” a festa dos mortos no México. “O diretor de teatro da escola, Regis Santos, foi ao México conhecer a celebração in loco e trazer elementos para cá”, disse à Agência Estado. E a alegoria realmente emocionou a plateia.

Para defender as cores azul, rosa e branco da “comunidade roseira”, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luisinho e Sueli, também teve uma performance impecável.

Indo até o outro lado do mundo com um festival na Samoa e passando pela África do Sul, homenageando a etnia zulu e seus tambores, outro destaque foi para a bateria, que impressionou com a ginga de seus integrantes vestidos com uniformes da guarda real da Inglaterra.

Acadêmicos do Tatuapé

A Acadêmicos do Tatuapé cumpriu com competência, mas sem grandes brilhos, a tarefa de levar à avenida a história da sambista Beth Carvalho. Os grandes sucessos, os amigos sambistas e as paixões da cantora carioca estiveram presentes no desfile, que teve um desenrolar sem problemas, embora a escola tenha usado todos os 65 minutos a que tinha direito. Só faltou mesmo a homenageada, que foi proibida de desfilar pelos médicos porque ainda se recupera de uma cirurgia na coluna a que se submete no ano passado.

A comissão de frente, formada por integrantes vestidos como o personagem Zé Carioca, lembrou que a sambista é um símbolo do Rio de Janeiro. O grande carro abre-alas trouxe um tatu – mascote da escola – dourado. O animal também foi o tema da fantasia da bateria da escola da zona leste de São Paulo.

O samba esteve presente em todos os momentos no desfile, especialmente pela ligação da cantora com a Mangueira e com o bloco Cacique de Ramos, berço de grandes compositores lançados por Beth Carvalho. Nomes como Arlindo Cruz, Almir Guineto, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho apareceram em vários adereços ao longo do desfile. Uma ala homenageou ainda a escola paulistana Vai-Vai. Além do samba, o futebol também foi citado, devido à ligação de Beth com o Botafogo.

Um dos carros lembrou que a música de Beth já foi até para o espaço. Nos anos 90, a música Coisinha do Pai, de Jorge Aragão – um dos compositores lançados por Beth -, foi usado pela Nasa para “acordar” o jipe-robô que explorava o solo de Marte.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego e Jussara, estavam muito emocionados por representar as cores azul e branco da Acadêmicos do Tatuapé porque sonhavam há muito tempo em estrear no Grupo Especial. Eles se conheceram como casal mirim de mestre-sala e porta-bandeira e desde então sonhavam desfilar o estandarte em um grupo de elite do carnaval.

presidente da escola, Roberto Munhoz, lamentou a ausência da cantora no desfile, mas não acredita que isso possa atrapalhar a escola. “A ausência de Beth Carvalho foi sentida. Todos nós ficamos tristes, mas ela teve um problema de saúde de não pode vir”. Mas a escola fez um grande espetáculo. Fechamos no tempo”, afirmou. Sobre a possibilidade de a escola permanecer no Grupo Especial, ele disse que isso “depende dos jurados”, mas lembrou que a Tatuapé já abriu um carnaval, como hoje, e conseguiu se manter entre as principais escolas.

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