Roosevelt já tem de aulas a protestos

Praça disputada por skatistas, ativistas e artistas foi ontem ocupada por alunos de Arquitetura

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2012 | 03h06

Localizada entre o Minhocão e as Ruas Augusta e da Consolação, a recém-inaugurada Praça Roosevelt já se tornou um dos lugares preferidos de São Paulo para a realização de eventos: de aulas abertas a manifestações políticas, festas e "churrascões". Em 20 dias, pelo menos quatro deles foram realizados e, se depender dos frequentadores, outros tantos ainda virão.

Ontem, alunos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie foram à praça registrar detalhes do espaço reformado. Entregue à comunidade no mês passado, a área está, segundo os estudantes, mais intensa e cheia de vida, digna de ser desenhada.

Estudante do 4.º ano, Adriano Franchini, de 21 anos, lembrou ontem dos arquitetos que aprendeu em aula ao se deparar com a nova Roosevelt. "A cidade precisa dessas conexões e, se o espaço for público, fica melhor." Para o estudante, a ideia na elaboração da praça remete a duas portas entreabertas que atiçam a curiosidade.

Professor e diretor da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, Valter Caldana diz que, para conhecer bem os espaços, o arquiteto tem de desenhar todos eles. "A nova Praça Roosevelt foi uma grande evolução, é o primeiro passo para a recuperação dos espaços públicos da cidade", acredita.

Caldana diz também que o mesmo processo poderia ser replicado em outros locais de São Paulo. "Além de ser um lugar amigável, a Praça Roosevelt foi escolhida para essa atividade porque a reforma trouxe novos ares à região." Esse exercício de observação faz parte da Semana de Arquitetura do Mackenzie, na qual os alunos também assistem a palestras e participam de workshops.

Levar os estudantes para conhecer a cidade faz parte da rotina de um curso de Arquitetura, diz o professor Issao Minami, da Universidade de São Paulo (USP). "Além de ser um espaço público, a Roosevelt foi reformada recentemente, o que a torna interessante para essa atividade." Minami diz que o exercício ajuda futuros arquitetos a verem melhor a cidade e as intervenções de que ela precisa.

Ocupação. Antes mesmo da inauguração, a Roosevelt já havia sido ocupada. A festa Santo Forte transformou a praça em ponto de interação. Segundo a produtora Júlia Silveira, foi uma oportunidade para muitos redescobrirem, pela balada, o centro da cidade. "É preciso ter a consciência de que a praça foi feita para as pessoas usarem. A festa, a presença dos skatistas, dos grupos de teatro, todas essas são formas de se usar o espaço."

Entre as manifestações, as políticas parecem ter encontrado seu novo lugar. Dois eventos diretamente ligados às eleições já foram feitos lá: o Churrascão da Justificativa, no primeiro turno e cuja segunda edição está marcada para o dia 28, e o Movimento dos 'Rosa-Choque', que está por trás do Festival Existe Amor em SP, marcado para este domingo.

De acordo com Hugo Possolo, integrante do grupo Parlapatões, com sede na Roosevelt desde os anos 2000, a praça sempre foi ponto de realização de eventos políticos e culturais. "Havia os shows da década de 1970, os cinemas da década de 1980, os teatros e bares dos anos 2000", lembra.

Quanto à nova onda de ocupação do espaço, Possolo adverte: "É preciso evitar transtornos para os moradores, que podem se incomodar com barulhos à noite, e para o trânsito da cidade".

O diretor da Ação Local, João Carlos Varella, tem a mesma preocupação de Possolo. "Esse tipo de manifestação deveria ser no Anhangabaú, em lugares que não são residenciais." / JULIANA TAMDJIAN, TIAGO QUEIROZ, TIAGO DANTAS, JULIANA DEODORO e PEDRO PROENÇA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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