Daniel Teixeira/ ESTADÃO
Daniel Teixeira/ ESTADÃO

Rooftops, os lugares para curtir São Paulo do alto

‘Terraços cosmopolitas’ vão de ambientes despojados a baladas e bares em áreas históricas

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2019 | 16h06

São Paulo não é mais a mesma, tirou os pés do chão e anda olhando todo mundo de cima para baixo. A capital paulista está tão mudada que aquilo que antes chamávamos, inocentemente, de terraço agora prefere ser tratado de forma mais cosmopolita: rooftops.

É o reflexo de uma tendência de ocupação dos espaços já existentes (fenômeno similar à aparição de bares e restaurantes em porões e subterrâneos). Mas chama a atenção a variedade – que vai desde o ambiente mais despojado, passando pelo baladeiro e chegando aos restaurantes e bares românticos ou de valor histórico.

No centro da cidade, por exemplo, existe uma concentração de rooftops. Perto do Largo do Paiçandu está o mais informal deles, a Balsa. O terraço, aberto às quintas e sextas (esporadicamente em outros dias), fica no quinto andar de um prédio comercial. Ao seu redor, é possível avistar o Viaduto do Chá, o Edifício Martinelli e o Vale do Anhangabaú. Normalmente, a música não é alta e as festas não ultrapassam as 23 horas. Trata-se de um local para conversar, tomar uma bebida de forma despretensiosa. Às vezes, abre para saraus, shows e peças de teatro. “A Balsa vai fazer sete anos. Quando a gente abriu, ainda não havia essa cultura”, contou o fundador, Helohim Barros, de 40 anos. 

Perto dali, mais especificamente na frente da Praça da República, já é possível encontrar um terraço mais formal, o restaurante Rooftop Esther, dos chefs franceses Benoit Mathurin e Olivier Anquier. Localizado em um edifício histórico, considerado o primeiro de inspiração Bauhaus na cidade, o restaurante tem ambiente tranquilo, bom para reuniões familiares, jantares românticos ou um vinho ao cair da tarde. Os pratos custam entre R$ 72 e R$ 82. “O rooftop é um sucesso porque muita gente já viajou para Nova York e Paris e conheceu”, afirma o chef Benoit Mathurin.

Enquanto a reportagem esteve no Esther, uma família subiu ao restaurante apenas para contemplar o skyline e tirar selfies. “Somos de outra cidade. O lugar é uma atração turística por si só”, comentou o defensor público Francisco Eduardo Falconi, de 36 anos. 

Ainda na região, é possível trocar a tranquilidade do Esther por uma balada da moda, a Tokyo. Em seu rooftop, a maioria ainda não bateu nos 30 anos. O som é o rock (muita coisa dos anos 80 e 90) e o espaço é altamente “instagramável” – ou seja, bom para quem quer publicar fotos no Instagram. “Tem uma coisa que eu gosto no rooftop. É o fato de poder fumar sem ter de sair da balada ou ir para um puxadinho”, diz o estudante Lucas Fonseca, de 21 anos. 

Em um clima parecido acontecem as festas do Air Rooftop, no alto do Shopping Light (ao lado da Prefeitura). Aqui, as festas são de música eletrônica e a periodicidade dos encontros é de uma ou duas vezes por mês. “A localização no coração de São Paulo, com vista para Teatro Municipal e centro, traz uma outra aura para o evento”, diz Guga Trevisani, diretor da Entourage, empresa que organiza os eventos do Air. “Nas principais metrópoles do mundo, festas em Rooftop se tornaram objeto de desejo e, em São Paulo, não é diferente.” 

Fora do centro

Os rooftops estão espalhados pela cidade inteira. Alguns deles ocupam espaços históricos na capital. Desde o começo do ano, por exemplo, o prédio do Conjunto Nacional abriga o clube de Jazz Blue Note (primo-irmão do tradicional bar de jazz de Nova York). O espaço não tem exatamente um rooftop, mas uma varanda com vista privilegiada para a Avenida Paulista (e já se transformou no espaço mais disputado do clube). 

Na mesma região, vale destacar o The View Bar, na Alameda Santos, e o Sky Hall Terrace Bar, na Juscelino Kubitschek. Já o Bar Obelisco fica anexo ao restaurante Vista, em pleno Parque do Ibirapuera, na cobertura do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Os hotéis também investiram em seus rooftops. É possível encontrar esse tipo de espaço no WZ Hotel Jardins (Tetto Rooftops Lounge), no Hotel Unique (Skye), no Tivoli Mofarrej (Seen) e outros. “O Seen é um bar e restaurante com uma visão de 360 graus no 23.º andar do Tivoli. Recebemos muitos hóspedes estrangeiros e muitos consideram este o skyline mais bonito do mundo”, afirma o diretor-geral do Tivoli Mofarrej, João Corte-Real.

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