'Rolezinhos' põem em xeque a ocupação de espaços na cidade

"Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente." A leitura de uma sentença dada por um juiz de Campinas, na sexta-feira, parece simples e corriqueira. Mas o próprio fato de a Justiça ser obrigada a discutir os "rolezinhos" mostra a dimensão que o fenômeno ganhou.

O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2014 | 02h06

Primeiro organizador conhecido de um "rolezinho" no shopping, o MC Jota L já tem advogada. No início, diz que era só um encontro. "Convidei colegas, que foram convidando outros, foi juntando." Hoje se surpreende com o que aconteceu e evita falar sobre a ação da polícia - que interveio após relatos de tumulto e arrastão, que nega.

Para a professora de Antropologia do Desenvolvimento na Universidade de Oxford, Rosana Pinheiro-Machado é difícil "definir o turning point", ou seja, o momento em que uma reunião local convocada pela internet se tornou um evento capaz de atrair multidões. Para ela, há um reflexo dos protestos de rua de junho. "Vivemos em uma sociedade que protesta mais."

Durante a semana, a presidente Dilma Rousseff e o PT buscaram "capitalizar" o movimento. É cedo, no entanto, para falar em ligações políticas. Afinal, o que querem esses jovens? Por que eles não vão para locais 100% públicos? Seu primeiro organizador põe tudo isso em xeque. "Se eu chegar na prefeitura falando: 'A gente pode usar o sambódromo?', eles vão falar: 'Quem é você?' Então, a gente faz o que a gente consegue." Ou seja, vão ao shopping.

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