Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Rodrigo Rosner, a novidade da SPFW

Especialista em roupa de festa, estilista estreará na semana de moda paulistana

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2012 | 03h05

Está tudo pronto para a temporada de moda outono-inverno 2012 - pelo menos no ateliê do paulistano Rodrigo Rosner, de 33 anos, em Higienópolis, na região central. O estilista vai apresentar pela primeira vez sua coleção na São Paulo Fashion Week, que começa na próxima semana.

Rosner é a novidade da temporada, que nesta edição terá 29 desfiles. Em São Paulo, ele já tem uma clientela descolada, que gosta de roupa de festa. Gente como a escritora Fernanda Young e a atriz Jacqueline Dalabona. "Rosner produz um sofisticado cool", declara Aldine Paiva, stylist e editor de moda. "Ele já está consolidado no mercado da roupa exclusiva, feita sob medida. Na minha opinião, poderia ter chegado antes à SPFW."

Em seu ateliê de 100 m², o estilista atende as clientes como se fossem visitas. No bate-papo - entre um café e outro, de vários sabores -, procura descobrir a personalidade e o jeito da entrevistada. E só depois vai pensar no modelo.

Antes da SPFW, ele participou de sete edições da Casa dos Criadores - evento organizado por André Hidalgo para ser um celeiro de novos talentos. "Durante muito tempo, roupa para festa ficou estigmatizada como moda cafona", diz Hidalgo. "Mas há uma nova geração que, como Rosner, tem uma releitura mais antenada e enxuga exageros."

Mas não ao ponto de fazer uma peça básica. "Adoro volume, plumas e paetês. Por isso sempre fiz vestidos para noiva. Amo esse universo, mesmo com todos os ataques histéricos que as noivas costumam ter durante o processo. Não tem jeito: até a mais elegante perde a linha", diz Rosner.

Ateliê Parisiense. Ele praticamente foi criado dentro de uma fábrica de roupas para festa, que chegou a ter 200 funcionários e produzir 60 mil peças de prêt-à-porter na década de 1980. Imigrantes húngaros, seus avós fundaram o Ateliê Parisiense em 1949 na Rua Conselheiro Chrispiniano, no centro de São Paulo.

"No início, era uma fábrica de plissados (efeito sanfona dado ao tecido, que fica parecido ao das saias de colégio)", conta Rosner. Na década de 1980, a empresa chegou ao auge ao produzir no Brasil roupas para a grife italiana Gucci. Dez anos depois, também vendeu para Daslu, Le Lis Blanc e Patachou. "Na infância, eu passava as férias na fábrica, porque meus pais não podiam viajar para preparar a coleção de inverno. Aprendi muita coisa na prática", conta ele. O Ateliê Parisiense também empregava um time de bordadeiras e costureiras de primeira linha, que se preocupava com o acabamento até do avesso da roupa.

Após concluir a Faculdade de Administração na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Rosner foi trabalhar no Ateliê Parisiense no desenvolvimento de produtos. "Eu era mimado. Por minha causa, uma estilista que meu pai contratou a peso de ouro, pediu as contas."

Em 1995, após a morte do pai, Rosner assumiu os negócios da família e, três anos depois, fechou a confecção. "Não gostava do atacado." Surgiram então duas possibilidade de trabalho. Mudar para o Paquistão para representar a marca de roupa de esqui que pertencia ao tio, ou aceitar o cargo de estilista em uma confecção do Bom Retiro, no centro. Rosner preferiu a segunda opção. "Tínhamos peças criativas, mas era obrigatório também reproduzir a roupa da novela para não perder cliente."

Hoje, além de fazer peças sob medida, o estilista tem uma coleção de nove tops para festa comercializada pela Way Models, em parceria com a Tecelagem Santa Constância. A linha é feita com malha especial, sobre a qual são aplicados bordados, rendas e plumas. "A moda festa é um nicho que ganha força", diz Hidalgo. "Na SPFW, temos o Samuel (Cirnansck) e o André Lima. Agora chega Rosner, que não faz roupa para um personagem nem para a modelo de passarela, mas para qualquer mulher poder usar."

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