Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Rodovias vão perder metade das bases da PM

Comando trocará por patrulhas volantes 62 dos 129 postos fixos nas estradas paulistas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2013 | 02h02

SOROCABA - A Polícia Militar de São Paulo vai desativar 62 dos 129 postos da Polícia Rodoviária Estadual nas estradas paulistas. As unidades fixas serão substituídas por bases comunitárias móveis e patrulhas volantes. Serão fechados 21 postos em rodovias administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e 41 em estradas sob concessão.

De acordo com o chefe de gabinete do Comando da PM, coronel José Luiz Sanches Valentin, o objetivo é usar o efetivo das bases fechadas para tornar o policiamento rodoviário mais ostensivo e com maior mobilidade, reduzindo o "tempo de resposta" aos usuários das rodovias paulistas.

Em ofício enviado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o militar informa ter sido proposta a compra de veículos policiais do tipo base comunitária móvel para suprir "possíveis demandas operacionais em face da desativação dessas bases (fixas)". No documento, não é informado o número de viaturas a serem adquiridas nem o prazo para fechamento das bases.

Segundo Valentin, das 139 rodovias estaduais, apenas 45 têm bases operacionais em estruturas pertencentes ao DER e às concessionárias das rodovias. "Verifica-se a necessidade de readequação e aplicação de novas formas de gestão que possibilitem melhorar os padrões de atendimento ao cidadão", informa o coronel.

Os imóveis que ficarão desocupados serão devolvidos ao Estado e às empresas. Alguns prédios foram construídos recentemente. O ofício, em resposta a requerimento do deputado Hamilton Pereira (PT), foi enviado à Alesp no dia 22 do mês passado. Pereira pediu novas informações, como quais as bases serão desativadas e qual o efetivo a ser usado nas bases móveis, mas até ontem não havia obtido resposta.

O deputado foi informado de que o fechamento das bases liberaria 380 policiais rodoviários para o policiamento móvel. Segundo Pereira, os usuários serão prejudicados, pois em muitas rodovias as bases fixas servem como referência e são os únicos pontos de apoio aos motoristas. "Com quase a metade das bases fechadas, os usuários acabam ficando órfãos dos serviços que as unidades prestam, aumentando a sensação de insegurança nas estradas", disse.

Proposta. A reportagem pediu informações mais detalhadas sobre a medida. Em resposta, o Centro de Comunicação Social da Polícia Militar informou que "o assunto atinente à modificação das bases da Polícia Rodoviária Estadual ainda está em estudo".

Na resposta oficial à Assembleia, no entanto, falando em nome do Comando da PM, Valentin dá a questão como decidida: "Destaca-se que a medida apresentada busca proporcionar maior acessibilidade aos usuários das rodovias, sobretudo facilitando o acesso do público ao sistema policial", justifica. E lembra que a Polícia Militar "continuará buscando, de forma sistêmica, equilibrar a demanda por segurança pública com a sua capacidade de ação".

Comandantes de duas Companhias de Policiamento Rodoviário do interior revelaram que, no início de fevereiro, o Comando-Geral pediu, "no prazo de 30 dias", um levantamento do patrimônio público disponível nas bases das respectivas regiões. Um deles lamentou a possibilidade de a desativação ocorrer no momento em que as unidades estão bem equipadas, embora com efetivo menor do que o necessário para patrulha.

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