Rodovias do interior de SP sofrem com os congestionamentos

Em Campinas, movimento no horário de rush chega a ser 10 vezes maior que o da Av. dos Bandeirantes

Eduardo Reina, de O Estado de S. Paulo,

04 de novembro de 2008 | 01h31

Trânsito parado, poluição e estresse é um trinômio que o motorista paulistano já se acostumou a enfrentar diariamente na capital. Mas o problema dos congestionamentos vai além das divisas da metrópole e dos pontos próximos nas estradas que chegam a São Paulo. Os gargalos se formam em pelo menos outros 40 pontos de grandes rodovias no Interior e são registrados nas proximidades em cidades como Campinas, São José dos Campos, Santos, Praia Grande, São Bernardo do Campo segundo a Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paul (Artesp), vinculada ao governo estadual. Veja também:As obras que vão quase duplicar a Marginal do Tietê Principal ligação com o Sul, Régis terá problemas até 2012Motoristas reclamam do trânsito e andam mais contra lentidãoTrecho urbano da Dutra recebe 220 mil veículos diariamenteComo evitar gargalos e propostas para melhorar estradas de SPConfira os trechos das estradas que mais tem congestionamentoConfira as condições do trânsito na Ayrton Senna, Carvalho Pinto e Dom Pedro IConfira as condições do trânsito na Tamoios e Raposo TavaresConfira as condições do trânsito na Anchieta e ImigrantesConfira as condições do trânsito na DutraConfira as condições do trânsito na Anhangüera e BandeirantesConfira as condições do trânsito na Castelo Branco e Raposo Tavares  Na região de Campinas, por exemplo, o movimento nos horários de rush é 10 vezes maior que o da Avenida dos Bandeirantes, na capital. E trafegar pela Anchieta, em São Bernardo do Campo, é como se o motorista estivesse parado na Avenida Paulista engarrafada no final da tarde. Não precisa ser véspera de feriado prolongado, final de ano, carnaval. Todos os dias o condutor é obrigado a encarar muito tráfego em alguns pontos nas estradas no interior. São enormes filas de veículos e muito tempo praticamente parado nas rodovias Dutra, Anchieta, Anhangüera, Bandeirantes, Raposo Tavares, Régis Bittencourt, Dom Pedro I, entre outras. Nos horários de pico, nesses pontos críticos, o trânsito fica pior do que tentar atravessar a Avenida dos Bandeirantes, na capital, numa sexta-feira no final de tarde às vésperas de um final de semana prolongado, quando o tráfego ultrapassa os 5 mil veículos por hora e soma mais de 250 mil por dia.  No trecho de acesso a Jundiaí na Anhangüera, por exemplo, perde-se mais de meia hora para percorrer curto espaço de via. Nesse ponto, o movimento ultrapassa 37 mil veículos por hora. Já uma das principais avenidas da capital, a Paulista, registra nos dias de semana, no pico da tarde, 4,5 mil veículos por hora, no sentido Consolação, uma dor de cabeça enorme para quem passa pelo local. "Sem dúvida que os maiores gargalos estão em São Paulo, onde o problema é das marginais, pois as principais estradas chegam nas marginais. No interior, as concessionárias têm uma programação a ser cumprida para ampliar pistas, fazer marginais e providenciar outras melhorias para resolver esse problema", disse Moacyr Duarte, presidente da Associação Brasileiras de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Pacote de obras Há um pacote de obras previstas para serem realizadas ao longo de pelo menos 10 anos pelas empresas que controlam as rodovias no Estado. Os editais de concessões prevêem que sempre que um determinado trecho rodoviário atinja mais de 50 horas anuais de congestionamentos em níveis D ou F (a escala vai de A à F), a concessionária faça por sua conta obras de ampliação da capacidade de fluxo. Isso desde que o congestionamento não seja resultado de interferência de tráfego urbano. A rodovia Anhangüera é um exemplo de estrangulamento de tráfego provocado pelo excesso de veículos. "A Anhangüera foi transformada numa grande avenida que liga o interior à capital. Mas há problemas também na Dutra, até depois da cidade de Taubaté, e também no estado do Rio. Para melhorar seria necessário fazer marginais até São José dos campos, Taubaté, além de marginais no Rio. Um projeto de R$ 1,2 bilhão de investimentos", destacou Duarte, da ABCR. Mas para que essas melhorias na Dutra sejam realizadas, é preciso também alargar e reforçar cerca de 200 pontos e viadutos. Há uma negociação em curso junto a Associação Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), do governo federal, para ampliar a parte pagante na Dutra. Uma saída seria construir mais praças de pedágios e reduzir a tarifa. Em contrapartida, haveria a prorrogação do contrato de concessão.  Entretanto, essa discussão já dura quatro anos. Dados da associação das concessionárias mostram que menos de 10% dos usuários da Dutra pagam pedágio, pois a utilização da estrada é feita em percursos pequenos, entre os municípios. No Estado de São Paulo são dois os trechos mais movimentados na Dutra, nos dois sentidos, entre São Paulo e Arujá, com 220 mil veículos por dia, e São José dos Campos e Taubaté, com 80 mil/dia. Rodoanel O Rodoanel é tido como opção para minimizar o fluxo de veículos nas marginais do Pinheiros e do Tietê, o que conseqüentemente diminuiria os gargalos nos trechos das estradas na região metropolitana. "A transposição da cidade de São Paulo é um sério problema, o que provoca uma baixa produtividade do setor de transportes de carga", disse Flávio Benatti, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp). As empresas de transporte, para evitar perdas conseqüentes das horas paradas nos congestionamentos, procuram rotas alternativas, mas nem sempre isso é possível. Em algumas estradas não há alternativa. É o caso da Anchieta, na região de São Bernardo do Campo. "Não tem saída, o negócio é enfrentar os congestionamentos", lamenta-se Benatti. E os motoristas vão precisar de muita paciência para trafegar entre os Km 10 e 29 da Anchieta. "Não há previsão de investimentos para resolver o problema nos acessos da Anchieta", afirmou Duarte. Uma viagem entre Santos e Campinas, dura aproximadamente duas horas e meia, segundo a Fetcesp. Mas quando se atravessa a capital, se acrescenta mais uma hora e meia. "Há uma perda muito grande de produtividade. São três horas a mais por dia só para ir e voltar a Campinas, partido de Santos", contou Benatti.  Finais de semana Os gargalos se formam também nos finais de semana. Na rodovia federal Fernão Dias (BR 386), concedida a Autopista Fernão Dias desde fevereiro, apresenta enormes congestionamentos no trecho que vai de Mairiporã a Atibaia, entre o Km 35 e o Km 65, principalmente nas sextas-feiras e domingos à noite, períodos em que a estrada é utilizada para ir e voltar de chácaras e casas de campo nessas regiões.   Para melhorar o fluxo, a concessionária prevê melhorias em cinco trevos - localizados do Km 35 ao 68 - e fará ruas laterais do Km 64 ao 67 e do Km 74 ao 90, por exemplo. Outra medida que poderá melhorar o fluxo é a retirada da barreira eletrônica do Km 57 e 67. Essa retirada será feita porque a empresa implantará uma passarela no local.

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