Rodoviária de Guarulhos vive às moscas

Usuários criticam falta de transporte público para chegar ao terminal, inaugurado há 7 meses

CAIO DO VALLE, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 03h04

Parque Cecap, Guarulhos, 17h de terça-feira. Do bairro, vizinho ao Aeroporto de Cumbica, foi possível contar a decolagem de sete aviões nos 30 minutos anteriores. Já da moderna rodoviária com 20 plataformas situada em uma avenida da região, só um ônibus partiu no período. A situação ilustra o baixo movimento registrado no terminal rodoviário desde sua abertura, há sete meses, ao custo de R$ 18,9 milhões. A maior parte da verba veio do Ministério do Turismo.

Em dezembro, por exemplo, houve 4.800 embarques, média de 155 por dia. Com esse número de passageiros, dá para encher apenas cinco coletivos. Para os poucos usuários encontrados pela reportagem, faltam divulgação da existência do terminal - que abriu em junho - e melhor conexão por transporte público com o resto da cidade.

"Acho que muita gente ainda não está sabendo da rodoviária", disse a operadora de telemarketing Priscila de Lima, de 29 anos, que desembarcava de um ônibus vindo de Praia Grande, no litoral. Para a dona de casa Neuza Silva, de 45 anos, o problema é chegar. "Fica fora de mão para quem usa transporte público."

A prefeitura de Guarulhos informou em nota que a rodoviária está em "área estratégica", perto das Rodovias Dutra, Ayrton Senna e Fernão Dias "e com fácil acesso" ao aeroporto. "Outra vantagem", segundo o texto, "é a possibilidade de interligação" com cidades do Alto Tietê. A administração municipal ainda destacou que, integrado à rodoviária, existe terminal urbano com sete linhas de ônibus. Para a prefeitura, a rodoviária "tem cumprido seu papel, que é o de ser outra porta de entrada e saída de Guarulhos".

Quinze empresas atuam ali, responsáveis por 37 linhas, segundo a Socicam, uma das componentes do Consórcio Terminal Guarulhos. Boa parte das viagens, no entanto, inclui conexões em São Paulo.

Outra desvantagem, na avaliação da dona de casa Marleide Odília Novaes, de 35 anos, é a falta de caixas eletrônicos dentro do terminal. A Socicam informou que "esse serviço depende também do interesse dos bancos". O Ministério do Turismo não se manifestou.

Estratégia. Comerciantes que trabalham no terminal reclamam do baixo movimento e miram a vizinhança para atrair público. "As vendas subiram um pouco no fim do ano, mas, em média, faço umas seis vendas a cada oito horas de serviço, o que ainda é muito pouco", afirmou Greyce de Carvalho, de 24 anos, atendente de uma loja de cosméticos no interior do terminal rodoviário.

Segundo ela, a estratégia tem sido atrair clientela dos prédios residenciais do Parque Cecap. A rodoviária tem dez salas comerciais para alugar. Já funcionam ali também farmácia, lanchonete, loja de calçados e a doceria onde trabalha o comerciante Henri do Carmo, de 30 anos.

Ele diz que, diariamente, atende pouco mais de 20 pessoas. "Acredito que o movimento vai melhorar quando houver mais embarques diretos aqui", disse Henri, referindo-se ao fato de que boa parte das linhas do local ainda faz escala em terminais de São Paulo.

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