Governo do Estado de São Paulo
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Rodovia dos Bandeirantes terá ciclovia de 57 km entre a capital e Itupeva

Obras devem custar R$ 219 milhões e serão feitas pela concessionária CCR Autoban, que administra a via

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2022 | 19h46

SOROCABA – O governador João Doria (PSDB) lançou nesta quinta-feira, 10, o projeto de uma ciclovia de longa distância ligando a capital paulista a Itupeva, no interior, pela rodovia dos Bandeirantes. A nova ciclovia, com 57 km de extensão, dará acesso ao recém-lançado Distrito Turístico Serra Azul e será implantada pela concessionária CCR Autoban, que administra a rodovia. No evento, em Itupeva, o governador disse que será a maior e mais completa ciclovia do Brasil. “Uma grande opção para o esporte, para o lazer e para a mobilidade”, afirmou Doria.

Conforme o governo, a região recebe cerca de 10 milhões de visitantes por ano e tem atrações como os parques Hopi Hari e Wet’n Wild, além de outlet, centros comerciais e rotas de turismo rural. O projeto prevê a construção de uma ciclovia segregada do tráfego de veículos da rodovia entre os quilômetros 13,8 e 71 da Bandeirantes. As bikes vão circular em trechos do canteiro central e do gramado lateral da rodovia. O projeto prevê seis passarelas de transposição, que permitirão ao ciclista acessar a passarela sem cruzar a rodovia.

A ciclovia, que terá ainda sete pontos de apoio para ciclistas, além de sinalização, deve custar R$ 219 milhões. O prazo de entrega não foi definido, já que o projeto ainda passará por análises técnicas, segundo o governo. Conforme a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), só neste ano foram registradas duas mortes de ciclistas, atropelados por carros quando trafegavam pelo acostamento da Bandeirantes. Em todo o ano passado, foram seis mortes de ciclistas no mesmo trecho.

O governo de São Paulo já lançou outros projetos para ciclistas na região, como a Ciclo Rota das Flores, em Holambra, com percurso de 14 km, e a Ciclo Rota das Frutas, que integra os municípios de Jundiaí, Louveira, Vinhedo e Itatiba, com extensão total de 75 km. A ideia, segundo o governo, é estimular o deslocamento seguro e sustentável da população, além de integrar municípios com vocação turística e potencial para o cicloturismo. O plano é ter 300 km de ciclorrotas no interior.

O projeto, no entanto, também é alvo de críticas. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, a cicloativista Renata Falzoni apontou falhas importantes na ciclorrota das frutas, como a falta de placas de sinalização e de ciclo faixas, que levam os ciclistas a uma disputa de espaço com os carros. Ela diz ainda que os projetos estão desconectados e não fazem parte de um sistema de cicloturismo. No caso da Rota das Frutas, os produtores de frutas da região não foram inseridos no projeto. “O nome gera uma expectativa no ciclo turista, mas não há frutas”, disse.

Conforme a CCR Autoban, a sinalização da Ciclo Rota das Frutas foi prejudicada pelas chuvas intensas que atingiram a região, assim como as rodovias administradas pela concessionária, durante o lançamento do projeto. A concessionária informou que três equipes trabalham na instalação de mais de 200 placas de sinalização ao longo do percurso. Lembrou ainda que o conceito de ciclo rota é de trânsito compartilhado com os carros, diferente da ciclovia, em que a segregação das bicicletas.

Ainda segundo a CCR, os pontos de alimentação ao longo do percurso também foram sinalizados. Foi feito ainda um mapeamento dos produtores de frutas e de produtos artesanais do campo na região para que abram as portas para os cicloturistas. O próximo passo será o treinamento desses produtores para o turismo receptivo.

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