Rodoanel ficará mais perto da Cantareira

Dersa modifica traçado pela 5ª vez e poupa bairro; mudança preocupa ambientalistas

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2011 | 00h00

Pela quinta vez desde seu primeiro projeto, o Trecho Norte do Rodoanel foi modificado pelo governo do Estado. O novo traçado preserva o bairro da Vila União, em Guarulhos, que seria cortado pelo Rodoanel, mas aproxima o anel viário ainda mais da Serra da Cantareira. O impacto já preocupa ambientalistas.

Com a mudança - uma curva ao norte que circundará a Vila União -, 340 famílias do bairro deixarão de ter seus imóveis desapropriados. A alteração foi proposta pelos moradores à prefeitura de Guarulhos em dezembro, que encaminhou a reivindicação à Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa, responsável pela obra). "A proposta dos moradores poupa o bairro e o mantém integrado à cidade", disse o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida (PT). Ainda assim, uma escola e um reservatório de água públicos terão de ser removidos nessa área. O Sítio da Candinha, parque natural tombado em Guarulhos, será preservado.

A mudança, segundo a Dersa, "não compromete o impacto ambiental" do anel viário nem vai encarecer o valor da obra, estimada hoje em R$ 6,1 bilhões (já 22% mais cara do que os R$ 5 bilhões previstos inicialmente). O Trecho Norte tem 44,2 quilômetros - com sete túneis e 22 viadutos - e atravessará a Serra da Cantareira, passando pela zona norte de São Paulo, Arujá e Guarulhos. A previsão é que a obra comece em dezembro.

Preocupação. Para ambientalistas, o "projeto equivocado" do Rodoanel obriga o governo do Estado a optar entre "impactos igualmente relevantes" a cada mudança. "Quando a essência é errada, as escolhas ficam difíceis. Essa alteração poupa um bairro, mas com o trecho mais próximo da Cantareira, o impacto na fauna e na flora certamente será maior", disse o ambientalista Carlos Bocuhy, ex-integrante do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

Em junho, um coletivo de entidades ambientais enviou ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) um "contra Rima" - documento que aponta falhas na elaboração do Estudo de Impacto e no Relatório do Meio Ambiente (EIA/Rima) - na tentativa de convencer o órgão a desistir de financiar a obra. "Vamos mostrar que a obra descumpre a política ambiental do próprio Banco", disse Bocuhy.

Atualmente, o documento passa por análise do Mecanismo Independente de Consulta e Investigação (Mici) do BID, cujos técnicos devem vir a São Paulo para verificar áreas que serão atingidas na obra. Inquérito civil também foi aberto no Ministério Público Federal (MPF) para apurar irregularidades nos estudos de impacto ambiental aprovados em junho pela autoridade ambiental do Estado, o Consema.

A Dersa nega as irregularidades e afirma que as mudanças não comprometem o meio ambiente, o orçamento, ou as "condições de segurança da rodovia".

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