Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Roda de samba vira polêmica na Santa Cecília

Músicos se reuniram ontem com a Prefeitura para reclamar que guardas-civis têm interrompido tradicional encontro de sexta-feira

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h02

Para impedir que a já tradicional roda de samba da comunidade Filhos da Santa seja expulsa do Largo Santa Cecília, na região central de São Paulo, sambistas tiveram uma reunião nessta segunda-feira, 30, à tarde com representantes da Prefeitura. Por duas vezes neste mês, o samba que ocorre nas noites de sextas-feiras foi interrompido por guardas-civis metropolitanos minutos depois do início, sem nenhuma explicação.

Na última sexta-feira, os oito integrantes da roda de samba chegaram ao local pouco antes das 20 horas com seus instrumentos musicais. O fundador da comunidade, Luis Alberto da Silva, de 50 anos, carregava, além de seu banjo, o Decreto 52.504 que cria regras para apresentação de artistas na rua. "Para mostrar para a GCM, caso ela tente acabar com nosso samba", explicou Silva.

A roda de samba existe desde 2003. A música sempre silencia às 23 horas, pontualmente. No repertório estão composições como Não Deixe o Samba Morrer e Para São Jorge. "O rigor é por causa do Psiu (Programa de Silêncio Urbano) e para evitar problemas com vizinhos e com a polícia", afirmou o presidente da roda, Fábio Luiz de Moraes Correia, de 42 anos.

Mesmo assim, o barulho da roda, que chega a juntar cem pessoas, tem incomodado. Guardas obrigaram o grupo a parar o som nos dias 13 e 20 deste mês. "A única coisa que eles disseram era que moradores estavam reclamando. Nos sentimos discriminados, porque temos autorização para fazer o samba, não usamos microfones ou caixas de som", disse Correia. O grupo parou a música quando viu que um caminhão estava pronto para recolher as cadeiras das calçadas.

Fiscalização. A Prefeitura informou, por meio de nota, que a ação dos guardas-civis foi motivada por reclamações de moradores nas reuniões do Conselho de Segurança do bairro (Conseg) e na Subprefeitura da Sé. Os agentes "estiveram no local para fiscalizar as licenças de funcionamento dos estabelecimentos do entorno e as autorizações para uso de mesas e cadeiras nas calçadas", diz a nota.

Na reunião dessa segunda-feira, 30, Correia foi informado de que a roda pode continuar. "O problema é que a gente sabe que qualquer dia a Guarda pode chegar e querer acabar com nossa música, que traz gente de família, pessoal trabalhador para relaxar no fim de uma semana. E vamos ter de estar preparados", disse Silva, o fundador da roda.

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